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Internacional

China proíbe namorados virtuais criados por inteligência artificial para combater dependência emocional

Nova regulamentação impede plataformas de oferecerem parceiros virtuais e estabelece regras para proteger usuários, especialmente menores de idade
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A China passou a aplicar, nesta quarta-feira (15), uma nova regulamentação que proíbe plataformas de inteligência artificial de oferecerem “namorados” e “namoradas” virtuais. A medida busca reduzir os riscos de dependência emocional causada por chatbots capazes de simular comportamentos e vínculos afetivos humanos.

As novas regras foram publicadas por cinco órgãos do governo chinês, entre eles a Administração do Ciberespaço da China (ACC), e abrangem ferramentas de inteligência artificial em texto, áudio, vídeo e outros formatos que reproduzam características humanas.

IA não poderá estimular dependência emocional

Pelas novas diretrizes, os sistemas de inteligência artificial não poderão incentivar vínculos afetivos excessivos, induzir usuários ao vício ou comprometer suas relações interpessoais no mundo real.

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Além disso, a regulamentação determina que:

  • Plataformas não poderão oferecer parceiros virtuais para menores de idade;
  • Empresas deverão identificar sinais de emoções extremas dos usuários;
  • Mecanismos de intervenção deverão ser acionados em situações de crise;
  • Os chamados “humanos digitais” também ficam proibidos de produzir conteúdos que incentivem a subversão do poder do Estado.

Empresas anteciparam mudanças

Antes mesmo da entrada em vigor da regulamentação, grandes empresas chinesas já haviam suspendido recursos de companhia virtual em suas plataformas.

Entre elas estão a ByteDance, responsável pelo Doubao, a Alibaba, com o Qwen, e a Tencent, desenvolvedora do Yunbao.

A decisão gerou reações de usuários que utilizavam esses serviços como forma de companhia emocional. Em publicações nas redes sociais chinesas, alguns relataram tristeza com o fim da funcionalidade e afirmaram que os relacionamentos virtuais ofereciam conforto diante da solidão.

Uso de companheiros de IA cresce em todo o mundo

O crescimento dos chamados companheiros de inteligência artificial tem chamado a atenção de pesquisadores e autoridades em diversos países.

Um estudo divulgado em 2025 pela Common Sense Media revelou que quase três em cada quatro adolescentes dos Estados Unidos já utilizaram aplicativos de IA voltados para conversas pessoais, incluindo plataformas como Character.AI, Replika e Nomi.

Especialistas alertam que, embora essas tecnologias possam ajudar a aliviar a sensação de isolamento, também apresentam riscos relacionados à dependência afetiva, especialmente quando substituem relações humanas reais.

Com a nova regulamentação, a China se torna a primeira grande economia do mundo a estabelecer regras específicas para inteligências artificiais capazes de simular relacionamentos românticos ou familiares.

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