O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a disponibilizar gratuitamente o succinato de tafenoquina para o tratamento da malária na rede pública. O medicamento apresenta como principal diferencial a administração em dose única, enquanto outros esquemas terapêuticos podem exigir o uso diário de medicamentos durante vários dias.
A tafenoquina é utilizada em conjunto com a cloroquina e atua principalmente contra formas do Plasmodium vivax, parasita responsável por grande parte dos casos de malária registrados no Brasil.
A doença é transmitida pela picada de mosquitos infectados do gênero Anopheles. No caso do Plasmodium vivax, algumas formas do parasita podem permanecer inativas no fígado, os chamados hipnozoítos, e voltar a se multiplicar semanas ou meses depois, provocando novos episódios da doença.
Dose única ajuda a evitar recaídas
A tafenoquina atua sobre as formas latentes do parasita presentes no fígado, contribuindo para diminuir o risco de recaídas.
Outro benefício está relacionado à duração do tratamento. Como o medicamento é administrado em uma única dose, mediante prescrição e supervisão profissional, diminui-se o risco de abandono precoce do esquema terapêutico.
Em tratamentos que precisam ser realizados durante vários dias, alguns pacientes podem interromper o uso dos medicamentos após perceberem melhora dos sintomas, comprometendo a eficácia do tratamento.
Quem pode utilizar a tafenoquina
O medicamento é indicado para adultos e adolescentes a partir dos 16 anos, desde que atendidos os critérios relacionados ao peso e às condições clínicas estabelecidas para o tratamento.
Conforme as diretrizes do Ministério da Saúde, o uso também vem sendo ampliado para faixas etárias pediátricas específicas, seguindo critérios próprios de segurança.
Antes da administração, é necessária a realização do teste de G6PD (Glicose-6-Fosfato Desidrogenase). O exame verifica os níveis da enzima no organismo e permite avaliar se o paciente pode receber o medicamento com segurança.
Por isso, a tafenoquina não deve ser utilizada por conta própria, sendo necessária avaliação e indicação de um profissional de saúde.
Medicamento está disponível gratuitamente no SUS
A tafenoquina está sendo distribuída gratuitamente pela rede pública de saúde, incluindo municípios da Região Amazônica, historicamente responsável pela maior concentração de casos de malária no Brasil.
A incorporação do tratamento busca simplificar o esquema terapêutico, ampliar a adesão dos pacientes e reduzir as recaídas provocadas pela doença.
A disponibilização também integra as estratégias de saúde pública voltadas para a redução dos casos e para o avanço das ações de eliminação da transmissão da malária no país.

