A rotina dos serviços postais pode sofrer alterações a partir desta sexta-feira (11) com o início de uma greve nacional dos trabalhadores dos Correios. O movimento é por tempo indeterminado e conta com a participação de sindicatos de diferentes regiões, incluindo o Amazonas.
A paralisação foi aprovada após uma sequência de negociações entre representantes dos funcionários e a empresa sem que as partes chegassem a um entendimento.
No Amazonas, a adesão aparece por meio do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Amazonas (Sintect-AM). Ainda não foram divulgados detalhes sobre quais unidades ou serviços serão afetados no estado.
Entregas ainda são uma incógnita
Uma das principais dúvidas para quem utiliza os Correios é sobre possíveis atrasos na chegada de encomendas e correspondências.
Até o momento, não há um levantamento sobre o impacto da paralisação nas entregas em nível nacional ou no Amazonas.
A operação também pode apresentar diferenças entre os estados. Na Paraíba, por exemplo, representantes da categoria informaram que somente atividades administrativas internas estavam funcionando durante a mobilização.
Não há confirmação de que o mesmo modelo tenha sido adotado em outras regiões.
O que levou os trabalhadores à greve?
Entre os pontos que dificultaram um acordo está o plano de saúde dos funcionários. De acordo com a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), mudanças previstas no benefício estão entre as principais preocupações da categoria.
Representantes dos trabalhadores afirmam que ocorreram diferentes rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST) antes da decisão pela greve.
As assembleias que confirmaram a paralisação foram realizadas na quinta-feira (10).
Movimento tem adesão nacional
Sindicatos de diversas partes do Brasil participam da mobilização. Além do Amazonas, há adesões em estados como Pará, Bahia, Ceará, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal e de entidades que representam municípios e regiões específicas.
No Acre, conforme as informações divulgadas inicialmente, a assembleia da categoria ainda estava prevista para esta sexta-feira.
Paralisação ocorre em momento financeiro delicado
Além das negociações trabalhistas, os Correios enfrentam dificuldades financeiras. A empresa acumula 15 trimestres consecutivos com resultados negativos.
Somente no primeiro semestre deste ano, o prejuízo chegou a R$ 5,6 bilhões. Apesar disso, o resultado do segundo trimestre apresentou uma redução das perdas na comparação com os dois trimestres anteriores.
A estatal também prevê uma nova operação de crédito de R$ 7 bilhões. A expectativa é de que os recursos sejam obtidos por meio de um consórcio de instituições financeiras.
Enquanto a greve continuar, consumidores que aguardam encomendas devem acompanhar possíveis mudanças nos prazos e no funcionamento das unidades dos Correios.

