O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou na terça-feira (1º) o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que reúne informações sobre mensagens e contatos entre Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes.
Vorcaro está preso por suspeita de fraude bancária. Segundo a Polícia Federal, as investigações apontam que o empresário mantinha uma estrutura de monitoramento e intimidação de adversários, com possíveis riscos de destruição de provas, continuidade de práticas de lavagem de dinheiro e interferência nas investigações.
O relatório foi elaborado a partir da análise do celular de Vorcaro, apreendido após sua prisão. O documento, porém, registra apenas o conteúdo enviado pelo aparelho para um contato identificado como “Alexandre de Moraes Brasília”.
De acordo com a PF, por limitações técnicas, não foi possível recuperar o conteúdo das respostas eventualmente enviadas pelo destinatário. Dessa forma, o material reúne essencialmente as mensagens que partiram do celular de Vorcaro.
Sistema de comunicação buscava evitar registros
Segundo o relatório, Vorcaro utilizava recursos que dificultavam a permanência das mensagens no aparelho.
Uma das ferramentas utilizadas era o recurso de visualização única do WhatsApp, que permite o envio de fotos, vídeos ou áudios que desaparecem depois que são visualizados pelo destinatário.
Em vez de escrever diretamente no aplicativo, Vorcaro teria adotado outra estratégia: digitava o conteúdo no aplicativo de notas do iPhone, fazia uma captura de tela e enviava a imagem pelo WhatsApp.
Dessa forma, após a visualização, a mensagem enviada pelo aplicativo desaparecia.
Como a PF recuperou as mensagens
A recuperação do conteúdo ocorreu por meio do cruzamento de diferentes vestígios digitais encontrados no aparelho apreendido.
Os investigadores analisaram horários de utilização do aplicativo de Notas, capturas de tela, arquivos temporários em PDF e registros relacionados ao envio das mensagens.
Para organizar e processar os dados extraídos do iPhone 17 Pro, a PF utilizou o Iped (Indexador e Processador de Evidências Digitais), ferramenta empregada para análise de evidências digitais.
Antes disso, segundo o relatório, foi utilizado o software Cellebrite, desenvolvido pela empresa israelense de tecnologia forense digital, para obter acesso ao conteúdo do aparelho.
Durante a análise, os investigadores encontraram arquivos em PDF contendo os mesmos textos que apareciam nas capturas feitas no aplicativo de notas.
Segundo a Polícia Federal, esses arquivos não teriam sido criados de maneira intencional pelo usuário. Eles teriam sido armazenados automaticamente pelo sistema do iPhone em uma área que normalmente não fica acessível ao usuário comum.
A partir desses vestígios, a PF conseguiu reconstruir parte das mensagens enviadas por Vorcaro ao contato identificado como Alexandre de Moraes.
Prisão de Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro foi preso na noite de 17 de novembro de 2025, durante a deflagração da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas relacionadas ao sistema financeiro.
A apreensão do celular do empresário foi considerada relevante para o avanço da análise das comunicações e dos dados armazenados no aparelho.
O relatório divulgado após a retirada do sigilo passou a integrar o conjunto de informações que alimentam a crise política e institucional envolvendo Vorcaro, Moraes, o Banco Master e diferentes órgãos da República.

