O governo federal anunciou, neste domingo (18), que vai ampliar de seis para 16 o número de aeronaves destinadas ao combate às queimadas no Amazonas. A decisão ocorre em meio ao agravamento da fumaça que atinge Manaus e outros municípios do estado, comprometendo a qualidade do ar e aumentando os riscos à saúde da população.
O anúncio foi feito durante a visita de uma comitiva de ministros à capital amazonense, recebida pelo prefeito Renato Junior, pelo senador Eduardo Braga e pelo vice-governador Serafim Corrêa, no aeroporto de Ponta Pelada.
A agenda, intermediada pelo senador Eduardo Braga junto ao governo federal, reuniu representantes dos ministérios da Defesa, Justiça e Segurança Pública, Meio Ambiente e Mudança do Clima, e Integração e Desenvolvimento Regional.
Operação terá reforço de aeronaves e das Forças Armadas
Entre as principais medidas anunciadas está o aumento da estrutura aérea utilizada no combate aos incêndios florestais.
A operação contará com 16 aeronaves, além de equipamentos para lançamento de grandes volumes de água diretamente sobre os focos de incêndio.
Segundo as informações apresentadas durante a visita, o cargueiro militar KC-390 poderá lançar até 12 mil litros de água por operação de descarga, utilizando equipamentos específicos para o combate ao fogo.
Quase 70 unidades desses equipamentos já começaram a chegar a Manaus, conforme os dados divulgados pela comitiva.
O Ministério da Defesa também anunciou a instalação de um Estado-Maior na capital amazonense, responsável por coordenar a atuação conjunta do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.
A medida busca ampliar a integração entre as equipes e acelerar as respostas às ocorrências registradas no estado.
De acordo com o balanço apresentado pelos ministros, as operações aéreas já acumulam aproximadamente 300 horas de voo e quase 800 mil litros de água lançados sobre áreas atingidas pelos incêndios.
A previsão anunciada é alcançar a marca de um milhão de litros nas próximas horas.
Governo analisa mais de R$ 100 milhões para enfrentar a emergência
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, informou que o governo federal já reconheceu a situação de emergência decretada pelo governo do Amazonas.
Com isso, foram liberados R$ 14 milhões ao estado para ações relacionadas ao enfrentamento da crise.
Além desse valor, estão em análise novos planos de trabalho apresentados pelo governo estadual e por prefeituras, que somam aproximadamente R$ 100 milhões.
Os recursos ainda em avaliação poderão ser destinados ao fortalecimento das operações de combate aos incêndios e ao atendimento das necessidades dos municípios afetados.
A liberação dos novos valores depende da análise e aprovação dos projetos apresentados.
Manaus sofre impactos da fumaça de incêndios em outras regiões
Durante a reunião, o prefeito Renato Junior destacou que Manaus enfrenta consequências de queimadas registradas principalmente fora da capital.
Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) citados pelo prefeito, Manaus concentra apenas 0,6% dos focos de incêndio, embora sua população, estimada em 2,3 milhões de habitantes, esteja diretamente exposta aos efeitos da fumaça.
A situação tem provocado preocupação com a saúde pública, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
O cenário reforça a necessidade de combater os focos de incêndio nas regiões de origem da fumaça, além de adotar medidas de proteção à população da capital.
Polícia Federal vai investigar possíveis crimes ambientais
Outra frente de atuação anunciada envolve o reforço da fiscalização e da investigação de incêndios possivelmente provocados por ações humanas.
A Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal participarão das operações com atividades de monitoramento, perícia e uso de informações obtidas por satélite.
O objetivo é identificar eventuais responsáveis por crimes ambientais e apoiar as ações de prevenção e repressão às queimadas ilegais.
As medidas serão desenvolvidas em articulação com os órgãos ambientais e as forças de segurança que já atuam no Amazonas.
Ministério da Saúde prepara reforço no atendimento
Diante dos impactos da fumaça sobre a população, o governo federal também anunciou medidas voltadas à área da saúde.
O Ministério da Saúde deverá instalar uma base descentralizada do Sistema Único de Saúde (SUS) em Manaus, com o objetivo de acompanhar a situação e avaliar a necessidade de ampliar a assistência à população.
O monitoramento dos indicadores de saúde e da qualidade do ar deverá orientar o dimensionamento das ações de atendimento.
A exposição à fumaça das queimadas pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, além de agravar doenças como asma e outras condições pulmonares.
Reuniões definem ações conjuntas no Amazonas
Além da recepção no aeroporto, a comitiva federal participou de reuniões no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) e na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
Os encontros tiveram como objetivo alinhar as estratégias de enfrentamento aos incêndios entre os governos federal, estadual e municipais.
A Prefeitura de Manaus foi representada nessas reuniões pelo secretário executivo de Proteção e Defesa Social, coronel Lima Júnior.
Segundo a administração municipal, o monitoramento das ocorrências continua sendo realizado durante 24 horas, em cooperação com os demais órgãos envolvidos na operação.
Com o reforço anunciado, a expectativa é ampliar a capacidade de resposta aos incêndios e reduzir gradualmente os impactos da fumaça sobre Manaus e outros municípios amazonenses.

