A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta nesta quinta-feira (15) sobre a divulgação de informações falsas que apresentam a ivermectina como uma alternativa para o tratamento do câncer.
O medicamento, utilizado no combate a determinadas infecções parasitárias, não possui eficácia comprovada para prevenir, tratar ou curar o câncer.
O comunicado foi divulgado após a circulação de publicações nas redes sociais que atribuem propriedades antitumorais ao remédio, utilizando resultados de pesquisas preliminares como se fossem comprovação de benefícios em pacientes.
A agência reforça que o uso de medicamentos sem orientação médica pode representar riscos à saúde, principalmente quando leva ao abandono de tratamentos oncológicos reconhecidos.
Estudos em laboratório não comprovam eficácia contra o câncer
Parte das informações que circulam na internet utiliza pesquisas realizadas em células cultivadas em laboratório e em animais para defender o uso da ivermectina contra tumores.
Entretanto, resultados obtidos em estudos experimentais não significam que um medicamento seja seguro ou eficaz em seres humanos.
Essas pesquisas representam etapas iniciais da investigação científica e precisam ser seguidas por estudos clínicos capazes de avaliar possíveis benefícios, doses adequadas e riscos aos pacientes.
Segundo a Anvisa, não existem evidências científicas suficientes que comprovem a eficácia da ivermectina no tratamento de câncer.
A agência também informou que não há pedidos ou estudos apresentados ao órgão que sustentem a aprovação do medicamento para essa finalidade.
Informações falsas circulam desde 2019
A associação entre ivermectina e tratamento oncológico não é recente.
De acordo com a Anvisa, publicações sobre o assunto começaram a ganhar espaço em 2019, após a divulgação de pesquisas experimentais envolvendo a ivermectina e o mebendazol, outro medicamento antiparasitário.
Os estudos identificaram efeitos em modelos laboratoriais, mas não demonstraram que essas substâncias fossem capazes de tratar o câncer em pacientes.
Uma pesquisa publicada em 2024 na revista científica PLOS Biology também destacou as limitações da transição entre experimentos em animais e pesquisas clínicas.
Segundo o estudo citado pela agência, apenas cerca de 5% dos medicamentos avaliados em animais avançam para testes em humanos, o que evidencia a necessidade de cautela na interpretação de resultados preliminares.
Venda de protocolos e tratamentos sem comprovação preocupa
Além das publicações que apresentam a ivermectina como uma possível cura, a Anvisa identificou a circulação de materiais digitais e supostos protocolos de tratamento que incluem o medicamento.
Algumas dessas divulgações também afirmam que pesquisas clínicas já estariam demonstrando benefícios contra o câncer.
A agência alerta que essas alegações não comprovam a segurança ou a eficácia do medicamento para uso oncológico.
O principal risco é que pacientes substituam tratamentos recomendados por profissionais de saúde por alternativas sem comprovação científica, comprometendo o acompanhamento médico e as possibilidades de controle da doença.
Como é definido o tratamento do câncer?
O câncer não é uma doença única. Existem mais de 200 tipos, com características e necessidades terapêuticas diferentes.
Por isso, o tratamento deve ser individualizado, considerando fatores como:
- Tipo de tumor diagnosticado;
- Localização e estágio da doença;
- Condições clínicas do paciente;
- Resultados de exames e avaliações médicas;
- Evidências científicas disponíveis para cada tratamento.
Entre as terapias utilizadas na oncologia estão cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e tratamentos direcionados a características específicas dos tumores.
Em determinadas doenças, também pode ser indicado o transplante de medula óssea.
A escolha depende de avaliação especializada e dos protocolos clínicos adequados a cada caso.
Por que a automedicação representa um risco?
Mesmo medicamentos conhecidos e utilizados há anos podem provocar efeitos adversos quando administrados de maneira inadequada.
No caso da ivermectina, a utilização fora das indicações aprovadas, especialmente em doses elevadas ou sem acompanhamento profissional, pode trazer consequências à saúde.
A Anvisa reforça que nenhum paciente deve interromper ou substituir um tratamento contra o câncer com base em conteúdos publicados nas redes sociais.
Em caso de dúvidas sobre medicamentos ou alternativas terapêuticas, a orientação é procurar o médico responsável pelo acompanhamento.
A agência destaca que o combate à desinformação é fundamental para garantir que pacientes tenham acesso a tratamentos seguros e fundamentados em evidências científicas.

