O rio Negro continua baixando em Manaus, mas o nível das águas permanece dentro dos padrões considerados normais para esta época do ano. A informação consta no 42º Boletim Hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (SGB), divulgado nesta semana, que acompanha as condições dos principais rios da Bacia do Amazonas.
Na capital amazonense, o rio Negro registrou 17,05 metros na medição informada pelo boletim. O recuo faz parte do período de vazante, fenômeno natural caracterizado pela redução gradual do nível dos rios após a cheia.
Apesar de algumas regiões apresentarem volumes de chuva inferiores à média, o monitoramento indica que os principais rios da bacia seguem, de maneira geral, dentro da normalidade.
Rio Negro apresenta sinais de estabilização em municípios do interior
Enquanto Manaus continua registrando a descida das águas, algumas localidades situadas na parte superior do rio Negro já apresentam sinais de mudança no comportamento do rio.
Em São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro, pequenas oscilações no nível das águas podem indicar a aproximação do fim da vazante nessas regiões.
Em Barcelos, o rio permaneceu praticamente estável durante a última semana, com cota de 4,01 metros.
Essas variações fazem parte da dinâmica dos rios amazônicos, que apresentam comportamentos diferentes conforme a localização, o regime de chuvas e o deslocamento das águas ao longo da bacia.
Solimões e Amazonas também seguem dentro do esperado
Na calha do rio Solimões, os municípios de Tabatinga e Fonte Boa registraram pequenas oscilações de subida e descida, comportamento que também pode sinalizar o encerramento gradual da vazante.
Já em Coari, na estação de Itapéua, e em Manacapuru, o nível do rio continua diminuindo de forma regular.
No rio Amazonas, a redução das águas segue dentro do padrão esperado em localidades como Itacoatiara, Parintins, Óbidos e Careiro.
O cenário indica que, apesar das diferenças entre os municípios, o processo de vazante continua acompanhando o comportamento sazonal observado na região.
Como estão os níveis dos rios Madeira, Purus e Acre?
Outras bacias hidrográficas da Amazônia também apresentam condições consideradas normais para o período.
Na bacia do rio Purus, em Beruri, no Amazonas, a descida das águas permanece dentro do comportamento esperado.
No rio Madeira, as estações de Humaitá, no Amazonas, e Porto Velho, em Rondônia, registraram níveis compatíveis com a época do ano.
Em Porto Velho, o rio apresentou uma pequena elevação e alcançou 3,90 metros.
Já em Rio Branco, no Acre, o nível do rio Acre também oscilou positivamente nos últimos dias, chegando a 2,78 metros.
Na bacia do Tapajós, os níveis monitorados em Itaituba, no Pará, permanecem dentro da faixa de normalidade.
Rio Branco se aproxima de mínimas históricas em Roraima
Embora a maior parte dos rios monitorados apresente comportamento esperado, a situação do rio Branco, em Roraima, merece atenção.
De acordo com o SGB, as estações da bacia registraram pequenas reduções ao longo dos últimos sete dias.
Em Boa Vista, o rio permanece próximo aos níveis mínimos históricos para esta época do ano.
O comportamento é acompanhado pelos órgãos responsáveis pelo monitoramento hidrológico, especialmente diante da redução das chuvas em parte da região amazônica.
Chuvas abaixo da média devem continuar nas próximas semanas
O boletim também chama atenção para o comportamento das chuvas na Amazônia.
Nos últimos 30 dias, o volume de precipitação ficou abaixo da média em diversas bacias, incluindo as dos rios Negro, Branco, Purus, Solimões, Madeira, Juruá e Javari.
Outras regiões, como as bacias dos rios Coari, Guaporé e Japurá, apresentaram condições consideradas normais.
A tendência apontada pelo SGB é de continuidade das chuvas abaixo da média em grande parte da área monitorada, o que exige acompanhamento das condições hidrológicas nas próximas semanas.
As bacias dos rios Branco, Negro, Purus e Solimões estão entre as áreas que demandam atenção contínua.
Níveis normais não descartam situações diferentes em rios menores
O Serviço Geológico do Brasil ressalta que o monitoramento apresentado no boletim acompanha principalmente os grandes rios da Bacia do Amazonas.
Isso significa que igarapés, afluentes menores e comunidades localizadas em outras áreas podem apresentar condições diferentes, mesmo quando os principais rios permanecem dentro da normalidade.
Além disso, as medições podem passar por ajustes após verificações realizadas pelas equipes técnicas responsáveis pelo monitoramento.
Os dados fazem parte da Rede Hidrometeorológica Nacional, coordenada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), com operação do SGB e de instituições parceiras.
O acompanhamento dos níveis dos rios é fundamental para identificar mudanças no comportamento das águas e auxiliar na preparação de municípios e comunidades diante de possíveis eventos hidrológicos extremos.

