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Saúde

Anvisa aprova novo medicamento para câncer de pulmão avançado; entenda quem pode receber o tratamento

Terapia-alvo apresentou redução dos tumores em 34,5% dos pacientes com características específicas e representa uma nova alternativa para pessoas que já passaram por outros tratamentos.
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Uma nova opção de tratamento para pacientes com câncer de pulmão avançado ou metastático recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O medicamento Emrelis (telisotuzumabe vedotina) teve seu registro aprovado no Brasil, conforme publicação no Diário Oficial da União de segunda-feira (19).

Desenvolvido pela farmacêutica AbbVie, o medicamento utiliza uma tecnologia que permite direcionar a ação contra células tumorais que apresentam determinadas características moleculares.

A aprovação coloca o Brasil como o segundo país a autorizar a terapia, depois dos Estados Unidos, e amplia as possibilidades de tratamento para um grupo específico de pacientes adultos que já recebeu outras terapias contra a doença.

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Quem pode receber o novo medicamento?

O Emrelis não é indicado para todos os pacientes com câncer de pulmão.

A autorização contempla adultos diagnosticados com câncer de pulmão de células não pequenas, do subtipo não escamoso, em estágio localmente avançado ou metastático, que já tenham recebido tratamento sistêmico.

Além disso, o tumor precisa apresentar duas características específicas: alta expressão da proteína c-Met e EGFR do tipo selvagem, ou seja, sem as alterações nesse gene que são alvo de determinados medicamentos.

Essas condições são identificadas por meio de exames e análises das características moleculares do tumor.

Por isso, a indicação depende de uma avaliação individualizada realizada pelo oncologista.

Como funciona a nova terapia contra o câncer?

Diferentemente da quimioterapia convencional, que pode atingir diversas células do organismo, o Emrelis utiliza uma tecnologia conhecida como conjugado anticorpo-medicamento.

O tratamento combina um anticorpo, responsável por reconhecer uma proteína presente na superfície das células tumorais, com uma substância capaz de destruí-las.

Nesse caso, o alvo é a proteína c-Met, encontrada em níveis elevados em determinados tumores.

Ao reconhecer essa proteína, o medicamento transporta o agente citotóxico para o interior da célula cancerígena, onde exerce sua ação.

Embora o mecanismo seja direcionado, isso não elimina a possibilidade de efeitos adversos durante o tratamento.

Estudo identificou redução dos tumores em 34,5% dos pacientes selecionados

A aprovação do medicamento foi fundamentada principalmente nos resultados de um estudo clínico de fase 2, realizado com pessoas que já haviam passado por tratamentos anteriores.

Na população total avaliada, 29,2% dos pacientes apresentaram resposta objetiva, caracterizada pela redução mensurável do tumor.

Entre os participantes com alta expressão da proteína c-Met, percentual que corresponde ao grupo de maior interesse para a terapia, a resposta chegou a 34,5%.

Os resultados demonstram atividade do medicamento contra a doença, mas é importante destacar que a redução do tumor não significa cura.

A resposta ao tratamento pode variar conforme as características clínicas e moleculares de cada paciente.

Quais são os possíveis efeitos colaterais?

Assim como outros tratamentos oncológicos, o Emrelis exige acompanhamento médico contínuo.

Entre as reações adversas identificadas nos estudos estão cansaço, perda de apetite, inchaço e neuropatia periférica, condição que pode provocar formigamento, dormência e alterações de sensibilidade.

Também foram observados riscos de complicações pulmonares e oculares, que precisam ser monitoradas durante o tratamento.

O medicamento é administrado por infusão intravenosa, geralmente em intervalos de duas semanas, conforme a avaliação e a prescrição médica.

Câncer de pulmão deve registrar mais de 35 mil novos casos por ano no Brasil

O câncer de pulmão permanece entre as principais causas de mortalidade por câncer no mundo.

Segundo informações da Anvisa, aproximadamente 85% dos diagnósticos correspondem ao câncer de pulmão de células não pequenas. Desse grupo, cerca de 70% são classificados como não escamosos.

No Brasil, estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam para 35.380 novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028.

O cenário reforça a importância da identificação precoce da doença e do desenvolvimento de tratamentos que considerem as características específicas de cada tumor.

Quando o medicamento estará disponível no Brasil?

Apesar da aprovação da Anvisa, o Emrelis ainda precisa cumprir etapas antes de chegar regularmente ao mercado brasileiro.

Uma delas é a definição do preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

Também não há confirmação de que o tratamento será oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A autorização sanitária representa, portanto, um avanço nas alternativas terapêuticas disponíveis no país, mas não significa que o medicamento já esteja acessível aos pacientes.

Para pessoas com câncer de pulmão avançado que apresentam as características moleculares exigidas, a nova terapia poderá representar uma possibilidade adicional de tratamento, conforme a avaliação da equipe médica.

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