Pesquisadores da Universidade Harvard anunciaram a primeira confirmação da existência de uma atmosfera em um exoplaneta rochoso localizado na zona habitável de outra estrela, um avanço considerado histórico na busca por planetas com condições favoráveis ao desenvolvimento da vida.
O estudo, publicado na revista científica Science, identificou uma atmosfera no exoplaneta LHS 1140 b, descoberto em 2017 e localizado a cerca de 48 anos-luz da Terra.
Embora não tenha sido encontrada vida no planeta, os cientistas destacam que a descoberta confirma a presença de um dos elementos mais importantes para que ela possa surgir: uma atmosfera capaz de proteger a superfície e ajudar a manter condições ambientais estáveis.
Além de ser um planeta rochoso, o LHS 1140 b está situado na chamada zona habitável, região ao redor de uma estrela onde as temperaturas podem permitir a existência de água líquida.
Para chegar à conclusão, os pesquisadores desenvolveram um modelo teórico que indicava que o planeta possuía uma atmosfera rica em hélio. A hipótese foi confirmada por meio de observações realizadas com o espectrógrafo WINERED, que detectou o gás escapando lentamente do planeta e sendo parcialmente retido por sua atmosfera.
Segundo o estudo, essa atmosfera provavelmente existe há mais de 3 bilhões de anos, demonstrando estabilidade ao longo de um período significativo.
Apesar das semelhanças com a Terra, o LHS 1140 b também apresenta diferenças importantes. O planeta é maior e mais frio, completa uma órbita em torno de sua estrela em apenas 25 dias e possui rotação sincronizada, mantendo sempre o mesmo lado voltado para a estrela.
Os pesquisadores agora pretendem investigar a composição detalhada da atmosfera e buscar evidências da presença de água líquida e de outros fatores que indiquem potencial de habitabilidade. O modelo utilizado na pesquisa também deverá ser aplicado na análise de outros exoplanetas em futuras investigações.


