Uma revisão de estudos publicada no American Journal of Clinical Nutrition reforça a importância de manter a atenção durante as refeições. A análise reuniu mais de 50 estudos realizados em diferentes países e identificou uma associação entre comer distraído e o aumento na ingestão de calorias.
Segundo especialistas citados no levantamento, quando a atenção está voltada para a televisão, celular ou outras atividades, a pessoa pode ter mais dificuldade para perceber os sinais de fome e saciedade.
Distração pode afetar percepção da saciedade
Entre os possíveis mecanismos envolvidos estão os impactos da distração sobre o controle do apetite ao longo do dia. Quando a atenção não está concentrada na alimentação, a tendência é devorar a refeição mais rapidamente, o que pode interferir na percepção da fome.
A estimativa apontada na revisão é de que o estômago leve cerca de 15 a 20 minutos para sinalizar ao cérebro que está cheio. Esse processo envolve sinais hormonais, como os relacionados à leptina e ao peptídeo YY, que ajudam a indicar a sensação de saciedade.
Além disso, a falta de atenção durante as refeições pode interferir na formação das memórias relacionadas à alimentação. A atenção está diretamente ligada à capacidade de armazenar informações e utilizá-las posteriormente, o que também influencia os hábitos alimentares.
Comer distraído pode favorecer escolhas menos conscientes
A consequência pode aparecer no comportamento alimentar. Segundo os especialistas, a distração durante as refeições pode dificultar o controle da ingestão e favorecer o ganho de peso e a obesidade, especialmente entre pessoas que já apresentam predisposição.
Além da quantidade de comida consumida, a falta de concentração pode contribuir para escolhas alimentares menos conscientes, tornando o momento da refeição menos saudável.
Como evitar distrações durante as refeições
Uma das principais recomendações é reduzir os estímulos externos durante a alimentação. Isso significa desligar a televisão, pausar séries e deixar o celular longe do campo de visão.
O ambiente também pode ser organizado para tornar a refeição mais agradável e favorecer a atenção ao que está sendo consumido.
Outra estratégia apontada pelos especialistas é a chamada mindful eating, expressão que pode ser traduzida como “comer com atenção plena”. A abordagem considera tanto as sensações físicas quanto as emocionais relacionadas à alimentação e tem relação com os princípios do mindfulness.
Atenção plena pode ajudar na relação com a comida
Há indícios de que a prática de mindfulness esteja relacionada à neuroplasticidade, processo pelo qual o cérebro pode modificar determinadas conexões e formar novas sinapses. Esse mecanismo pode contribuir para reduzir respostas automáticas diante do ato de comer.
Na prática, não é necessário transformar cada refeição em um momento de silêncio absoluto. A proposta é aumentar a qualidade da presença durante a alimentação.
Uma maneira simples de começar é prestar atenção à respiração antes de comer e desacelerar durante a refeição. Também é possível observar as cores, texturas, temperaturas, aromas e sabores dos alimentos.
Outra dica é colocar os talheres no prato enquanto mastiga. Além de diminuir o ritmo da refeição, o hábito pode ajudar a perceber melhor os sinais do próprio corpo e tornar a experiência de comer mais prazerosa.

