Uma inteligência artificial desenvolvida pela Microsoft apresentou resultados superiores aos de médicos na investigação de casos clínicos complexos. A tecnologia foi avaliada em um estudo publicado nesta quinta-feira (22) na revista científica Science.
O experimento reuniu 304 casos de difícil diagnóstico e apontou que o sistema de IA alcançou uma precisão duas vezes maior que a dos profissionais participantes, mesmo com os médicos tendo acesso a livros e à internet para consultar informações.
O resultado chama atenção para o potencial da inteligência artificial como ferramenta de apoio à medicina, especialmente em situações que exigem a análise de diferentes sintomas, exames e possibilidades de diagnóstico.
Como funciona a inteligência artificial da Microsoft?
Diferentemente de sistemas que recebem todas as informações do paciente de uma só vez, a tecnologia desenvolvida pela Microsoft reproduz etapas semelhantes às de uma consulta médica.
Primeiro, a IA analisa o histórico do paciente e faz perguntas para compreender os sintomas. Depois, seleciona exames, interpreta os resultados e, quando necessário, solicita novas investigações.
O sistema também simula a participação de diferentes especialistas, reunindo análises para chegar a uma conclusão diagnóstica.
A proposta é avaliar não apenas a capacidade de identificar doenças, mas também a maneira como a inteligência artificial conduz o processo de investigação.
Estudo avaliou precisão e tomada de decisões
Durante o experimento, o desempenho da IA foi comparado ao de médicos que poderiam utilizar fontes externas de consulta para solucionar os casos.
Segundo os pesquisadores, a avaliação considerou tanto a precisão dos diagnósticos quanto a escolha das etapas necessárias para chegar às respostas.
“Não estamos medindo apenas a precisão dos sistemas. Também medimos o cuidado e o critério com que eles conduzem uma investigação diagnóstica”, explicou Harsha Nori, chefe de IA da Microsoft AI Health.
Apesar do desempenho apresentado, os resultados foram obtidos em um ambiente de avaliação e não significam que a tecnologia esteja pronta para substituir médicos no atendimento clínico.
Tecnologia será testada em ambiente hospitalar
A próxima etapa do desenvolvimento prevê testes em um hospital de Boston, nos Estados Unidos.
A inteligência artificial deverá ser avaliada na triagem de pacientes em um pronto-socorro, permitindo observar seu desempenho em situações mais próximas da rotina hospitalar.
Os resultados dessa fase serão importantes para compreender como a ferramenta pode contribuir para a tomada de decisões médicas e quais limitações precisam ser consideradas antes de uma utilização mais ampla.
A pesquisa reforça o avanço da inteligência artificial na área da saúde, mas também evidencia a importância de avaliar sua segurança e eficácia em condições reais de atendimento.

