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Operação investiga esquema de descontos ilegais em contracheques de servidores e mira PicPay e BRB

Megaoperação cumpre 50 mandados, bloqueia quase R$ 90 milhões e apura supostas cobranças irregulares em folhas de pagamento do Distrito Federal
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Uma operação realizada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil na manhã desta sexta-feira (19) investiga um suposto esquema de descontos irregulares aplicados nos contracheques de servidores públicos do Distrito Federal. Batizada de Operação Juros Zero, a ação cumpre 50 mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo e Curitiba.

Além das diligências, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 90 milhões em contas ligadas aos investigados. Segundo as apurações, o grupo teria utilizado um decreto distrital publicado em 2024 para realizar cobranças consideradas indevidas diretamente na folha de pagamento dos servidores, apresentadas como “taxas administrativas”.

Entre os alvos da investigação estão o Banco de Brasília (BRB) e o PicPay, que teria assumido parte da gestão dessas operações. As autoridades também apuram a participação de figuras ligadas à administração pública e ao setor financeiro.

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Entre os investigados estão Ney Ferraz, ex-secretário de Economia do Distrito Federal; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB; e Eduardo Chedid Simões, diretor do PicPay. Os envolvidos são investigados por possíveis crimes contra a economia popular, publicidade enganosa e inserção de dados falsos em sistema público.

De acordo com os investigadores, a estrutura sob apuração teria contado ainda com a participação da Secretaria de Economia do DF, do Instituto de Previdência dos Servidores (Iprev) e da Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal.

PicPay nega irregularidades

Em nota, o PicPay afirmou que atua em conformidade com a legislação e que não reconhece qualquer irregularidade nas operações citadas pela investigação.

“A companhia não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida”, informou a empresa.

Segundo a instituição, os produtos e serviços oferecidos seguem as normas regulatórias vigentes e passam por mecanismos de controle, supervisão e compliance. O PicPay também esclareceu que os valores antecipados eram disponibilizados diretamente no cartão do cliente, mediante solicitação realizada pelo próprio usuário por meio do aplicativo, sem a participação de intermediários ou associações.

A empresa destacou ainda que possui uma estrutura de governança corporativa e gestão de riscos alinhada às melhores práticas do mercado e afirmou que continuará colaborando com as autoridades durante o andamento das investigações.

“O PicPay mantém uma sólida estrutura de governança corporativa, gestão de riscos e compliance, alinhada às melhores práticas de mercado e aos mais elevados padrões regulatórios”, diz outro trecho da nota.

Por fim, a companhia declarou estar confiante de que os esclarecimentos prestados ao longo da apuração comprovarão a regularidade de sua atuação.

As investigações seguem em andamento e novas informações poderão ser divulgadas pelas autoridades nos próximos dias.

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