O Governo do Amazonas iniciou uma nova etapa para a implementação do Plano de Bioeconomia Estadual, com a formação de um Grupo de Trabalho que reúne mais de 35 instituições, organizações, coletivos e pesquisadores.
Apresentado durante a COP30, em Belém, o plano estabelece diretrizes para fortalecer uma economia baseada no uso sustentável dos recursos naturais e na valorização da biodiversidade amazônica. Entre as prioridades estão ciência, tecnologia e inovação, empreendedorismo e sustentabilidade ambiental.
Para especialistas, a iniciativa pode gerar impactos econômicos e sociais tanto para Manaus quanto para os municípios do interior, especialmente por meio da criação de novas oportunidades de negócios, financiamento e geração de renda.
Economistas destacam oportunidades para o Amazonas
Entre os integrantes do Grupo de Trabalho está a economista e pós-doutora em Desenvolvimento Regional Michele Aracaty, representante da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
Segundo ela, a participação de economistas poderá contribuir para a criação de modelos de financiamento sustentável, análise da viabilidade das cadeias produtivas e integração entre a sociobiodiversidade amazônica e o Polo Industrial de Manaus (PIM).
Uma das propostas é desenvolver novas linhas de crédito para comunidades tradicionais e pequenos produtores, além de incentivos fiscais para empresas que utilizem insumos de origem florestal em substituição a materiais fósseis ou importados.
“Com o desenvolvimento dessas propostas, estaremos desenvolvendo além da matriz econômica, alcançando também o desenvolvimento social dos amazonenses”, afirmou Michele.
Plano possui cinco eixos prioritários
O Plano de Bioeconomia Estadual está dividido em cinco eixos estratégicos:
- Governança
- Pessoas e Cultura
- Descarbonização e Energias Renováveis
- Ecossistemas de Negócio
- Patrimônio Cultural e Genético
Os economistas poderão atuar em diferentes frentes dentro desses eixos. Na área de governança, por exemplo, a contribuição envolve viabilidade financeira, transparência e distribuição de recursos entre poder público, empresas e comunidades tradicionais.
No eixo de Ecossistemas de Negócio, a atuação deve buscar ampliar o mercado para produtos amazônicos, aumentando a competitividade e aproximando produtores, indústrias de tecnologia e consumidores.
Michele Aracaty também destaca a participação da Economia nas áreas de descarbonização e proteção cultural e ambiental, por meio de estudos sobre eficiência de recursos, economia do bem-estar e incentivos fiscais.
O economista Lucas Rezende, também representante da UFAM no grupo, afirma que a principal contribuição da área será transformar as diretrizes do plano em instrumentos econômicos capazes de gerar renda e atrair investimentos para o Amazonas.

Segundo ele, o objetivo é fazer com que manter a floresta em pé seja uma escolha economicamente mais vantajosa, além de estabelecer prioridades e mecanismos para acompanhar os resultados das ações.
Interior do Amazonas deve estar entre as prioridades
Um dos principais desafios apontados pelos especialistas é fazer com que os benefícios da bioeconomia não fiquem concentrados apenas em Manaus ou nos últimos elos das cadeias produtivas.
O Amazonas possui 61 municípios no interior e enfrenta diferentes níveis de vulnerabilidade social e econômica. Para Michele, a utilização adequada dos recursos pode contribuir para reduzir essas desigualdades.
“A bioeconomia promove equidade social, desde que a aplicação dos recursos seja devidamente direcionada para o local certo: a sociedade”, afirmou a economista.
Lucas Rezende reforça que o desenvolvimento da bioeconomia deve considerar as desigualdades socioeconômicas e territoriais do Amazonas, fortalecendo principalmente as pessoas que vivem nos territórios onde os recursos naturais são produzidos.
O que é bioeconomia?
A bioeconomia é um modelo econômico baseado no uso sustentável dos recursos naturais, priorizando alternativas aos combustíveis fósseis e a outros recursos não renováveis.
O modelo também utiliza tecnologia e inovação para desenvolver produtos e soluções sustentáveis em setores como pesca, alimentos, cosméticos e indústria têxtil.
Segundo dados citados no plano, a bioeconomia movimenta cerca de 2 trilhões de euros no mercado mundial e gera aproximadamente 22 milhões de empregos.
No Brasil, dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que a bioeconomia movimenta cerca de R$ 2,7 trilhões, o equivalente a 25,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
A expectativa dos especialistas é que a implementação do Plano de Bioeconomia Estadual permita transformar a biodiversidade do Amazonas em oportunidades econômicas sustentáveis, com geração de renda, inovação e melhoria da qualidade de vida da população.

