Uma abordagem que reúne diagnóstico e tratamento em uma mesma estratégia vem ganhando espaço nas pesquisas contra o câncer. Conhecida como teranóstica, a técnica utiliza moléculas capazes de identificar características específicas dos tumores e direcionar substâncias radioativas às células que apresentam esses marcadores.
O método combina exames de imagem e tratamentos direcionados. Primeiro, uma molécula é utilizada para localizar determinadas características das células tumorais. Quando o alvo é identificado, uma substância semelhante pode transportar radiação até essas regiões, buscando atingir o câncer de maneira mais precisa.
A estratégia já possui aplicações em determinados tumores neuroendócrinos e no câncer de próstata. Neste último, um dos principais alvos estudados é o PSMA, proteína encontrada em maior quantidade em muitas células tumorais prostáticas.
Segundo o médico nuclear Marcelo Araújo Queiroz, gerente de Medicina Nuclear e Teranóstica do Einstein Hospital Israelita, a identificação desses marcadores permite avaliar quais pacientes podem se beneficiar de tratamentos específicos. No entanto, tumores aparentemente semelhantes podem apresentar características diferentes, o que influencia a resposta à terapia.
Pesquisas brasileiras buscam ampliar tratamentos
No Brasil, pesquisadores do Centro de Inovação em Câncer com Ênfase em Metástase e Teranóstica (CancerThera), financiado pela Fapesp, investigam novas possibilidades de aplicação da técnica.
Entre os estudos está a análise do comportamento do PSMA em diferentes tumores e regiões do organismo. Os pesquisadores também avaliam formas de ajustar as doses de radiação conforme as características de cada paciente, procedimento conhecido como dosimetria.
Apesar dos avanços, ainda existem desafios relacionados à disponibilidade de radiofármacos, à infraestrutura necessária e à definição dos pacientes que podem se beneficiar da abordagem.
Especialistas destacam que a teranóstica não substitui todos os tratamentos convencionais contra o câncer, mas representa uma alternativa para situações específicas, com potencial de ampliar a personalização das terapias oncológicas.
Nota da redação: Esta matéria foi elaborada com base em informações publicadas pela Agência Einstein, fonte utilizada como referência para a abordagem científica e os estudos apresentados.

