O câncer de colo do útero segue como um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil, especialmente na região Norte. Dados preliminares do Ministério da Saúde (MS) apontam que o índice no Amazonas chega a 28,57 casos por 100 mil mulheres, o mais alto do país, enquanto a taxa média no Norte é de 22,79 e no Sudeste, 14,06.
Nas regiões Norte e Nordeste, a doença é o segundo tipo de câncer mais frequente entre mulheres, atrás apenas do câncer de mama.
Números preocupantes e histórico de estagnação
Quase 20 mulheres por dia no Brasil são vítimas do câncer de colo do útero, uma estatística que se mantém praticamente inalterada há mais de 40 anos, apesar de a doença ser 100% prevenível com a vacina contra HPV.
Em 2025, a doença matou 7.249 mulheres, e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima para 2026–2028 19.310 casos novos por ano, um aumento em relação às projeções anteriores de 17 mil casos anuais.
O panorama mostra que o país se mantém num platô, sem redução significativa na incidência da doença.
Rastreamento falho e desigualdade regional
O rastreamento inadequado é apontado como o principal problema, fazendo com que muitos casos sejam diagnosticados em estágios avançados. Pesquisa da UFMG publicada em 2022 indicou que dois terços dos cânceres ginecológicos no Brasil são detectados tardiamente.
A diferença entre os setores público e privado também é evidente. No interior do Amazonas, exames preventivos precisam ser enviados à capital, com espera de até seis meses, enquanto mulheres de comunidades ribeirinhas podem levar até oito dias de barco para acessar atendimento.
Novidade: exame de DNA-HPV
O Ministério da Saúde está gradualmente substituindo o Papanicolau pelo teste de DNA-HPV, que detecta diretamente a presença do vírus. A sensibilidade do exame chega a quase 100%, enquanto o Papanicolau apresenta sensibilidade entre 65% e 70%.
O teste ainda dispensa nova coleta por cinco anos em caso de resultado negativo, uma vantagem importante para regiões de difícil acesso.
Atualmente, sete estados oferecem o exame pelo SUS: Pernambuco, Pará, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. A expansão nacional deve ser concluída até o fim de 2026.
No Amazonas, um projeto-piloto está em andamento em 12 municípios, mas o atendimento ainda apresenta desigualdade. O exame também permite a autocoleta, estratégia usada para populações de difícil acesso, como ribeirinhas, indígenas e pessoas LGBTQIAPN+. O estado já realizou estudos com autocoleta, com aceitação próxima de


