Brasileira Juliana Marins é a mais recente vítima de quedas fatais em trilha de vulcão conhecido pela beleza, e pelos riscos cada vez mais frequentes.
Nos últimos cinco anos, o Parque Nacional do Monte Rinjani, na Indonésia, registrou 180 acidentes e oito mortes em suas trilhas, uma delas foi a da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, que caiu de um penhasco no sábado (21), enquanto subia o vulcão em uma trilha turística. O corpo foi encontrado na terça-feira (24) por equipes de resgate.
Juliana estava viajando pela Ásia em um mochilão e acabou se afastando do grupo com o qual seguia rumo ao cume do vulcão. Segundo a família, ela escorregou e caiu em uma encosta a cerca de 650 metros de altura. A confirmação da morte foi divulgada por meio de um perfil criado por parentes para acompanhar o resgate.
O Monte Rinjani, com 3.726 metros de altitude, é o segundo vulcão mais alto da Indonésia e considerado uma das trilhas mais desafiadoras do país, atraindo turistas de todo o mundo. O trajeto pode levar até quatro dias, passando por regiões íngremes, com mudanças bruscas de clima e áreas de risco, especialmente em períodos de neblina.
De acordo com o Escritório do Parque Nacional, o número de acidentes tem crescido a cada ano. Em 2020, foram registrados 21 casos. Já em 2024, o número saltou para 60, quase o triplo. Entre os incidentes mais comuns estão quedas e torções, com 134 ocorrências. Ao todo, 44 turistas estrangeiros e 136 visitantes locais sofreram algum tipo de acidente nesse período. As mortes foram distribuídas da seguinte forma:
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2020: 2 mortes
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2021: 1 morte
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2022: 1 morte
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2023: 3 mortes
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2024: 1 morte (Juliana Marins)
O crescimento de visitantes após o fim das restrições da pandemia impulsionou também os riscos. A movimentação intensa, embora benéfica para a economia local, aumentou os impactos ambientais e os acidentes, conforme apontado por relatório do próprio governo da Indonésia.
Diante do cenário, um documento oficial divulgado em março alertou para a urgência da implementação de um Procedimento Operacional Padrão (POP) para situações de busca, resgate e evacuação, além da necessidade de reforço nas sinalizações e orientações nas trilhas. Já foram instaladas placas de alerta nas áreas mais perigosas, e as equipes locais passaram a fazer instruções aos turistas logo na entrada do parque.
Ainda assim, muitos visitantes ignoram as regras de segurança, como o uso de equipamentos adequados e a presença de guias. Foi o que aconteceu com Juliana, e também com outras vítimas de acidentes recentes na região.
Outros casos semelhantes
Entre 2022 e 2024, três turistas estrangeiros morreram em acidentes semelhantes no Monte Rinjani e nos arredores. Em 2022, o português Boaz Bar Anam, de 37 anos, caiu de uma altura de 150 metros ao tentar tirar uma selfie próximo à borda do cume. O resgate do corpo levou quatro dias, devido à dificuldade de acesso e às condições climáticas.
Em junho de 2024, a suíça Melanie Bohner foi encontrada morta após cair de um barranco durante uma escalada no Monte Anak Dara, que fica na mesma região. Melanie subia sozinha por uma trilha não oficial, o que é desaconselhado pelas autoridades locais.
Já o turista malaio Rennie, de 57 anos, caiu de uma ravina de 80 metros na trilha de Torean. A queda aconteceu em meio a uma neblina intensa, e relatos indicam que ele havia se recusado a seguir com guias pouco antes do acidente.
Riscos nas trilhas do Rinjani
Muitos dos acidentes registrados no Monte Rinjani envolvem descuido com regras básicas de segurança: falta de preparo físico, desrespeito às trilhas oficiais, uso inadequado ou ausência de equipamentos apropriados. A combinação entre trilhas íngremes, clima instável e excesso de confiança de alguns visitantes tem se mostrado fatal em diversas ocasiões.
Apesar das tragédias, o Monte Rinjani segue como um dos pontos turísticos mais procurados da Indonésia. A expectativa das autoridades é que medidas preventivas mais rigorosas e a conscientização dos turistas contribuam para tornar o local mais seguro, sem comprometer a experiência única que o parque oferece.


