Rede MLC
Política

Lula critica tarifa de Trump como “chantagem inaceitável” e promete reação internacional

Publicidade

Presidente brasileiro também defendeu o Pix como patrimônio nacional, acusou políticos brasileiros de “traição” e afirmou que o Brasil não aceitará imposições dos EUA

Em um pronunciamento transmitido em rede nacional na noite desta quinta-feira (17/7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como uma “chantagem inaceitável” a decisão dos Estados Unidos de impor tarifas adicionais de 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump na semana passada, com alegações de práticas comerciais desleais por parte do Brasil.

Segundo Lula, o governo brasileiro vinha tentando negociar com os EUA por meio de reuniões e propostas formais, mas foi surpreendido pela forma e pelo conteúdo da decisão americana.

Publicidade

“Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras e com informações falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos.”

Afirmou o presidente.

Lula também direcionou críticas a políticos brasileiros que manifestaram apoio às sanções impostas por Washington, chamando-os de “traidores da pátria” e acusando-os de agir contra os interesses nacionais. Embora sem mencionar nomes, a fala foi interpretada como uma alusão a figuras da oposição, como o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que tem atuado junto a parlamentares americanos nos Estados Unidos.

Defesa do Pix e resposta à investigação dos EUA

Em seu discurso, Lula defendeu o sistema de pagamentos instantâneos Pix, que, segundo ele, é um dos mais modernos do mundo e representa uma conquista do povo brasileiro. A defesa veio após o governo americano abrir uma investigação comercial que inclui questionamentos sobre possíveis favorecimentos a soluções tecnológicas nacionais.

“O Pix é um patrimônio do povo brasileiro. Um dos sistemas de pagamento mais avançados do mundo”

Disse o presidente.

O governo federal afirmou que recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar as medidas e que pode aplicar a Lei de Reciprocidade contra os EUA, caso não haja recuo. Apesar da firmeza no discurso, analistas alertam que esse tom mais confrontacional pode gerar instabilidade nas relações comerciais, além de afetar o ambiente de negócios para empresas estrangeiras no Brasil.

Lula à CNN: “Trump não foi eleito para ser imperador do mundo”

Mais cedo, Lula concedeu entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN americana  a primeira à TV dos EUA desde o início do impasse comercial. Na conversa, o presidente brasileiro disse que se surpreendeu com a carta publicada por Trump nas redes sociais anunciando as tarifas, e criticou a postura do republicano.

“Quando vi a carta, achei que fosse fake news. Ele está quebrando todos os protocolos entre chefes de Estado”, declarou Lula.
“Se Trump fosse brasileiro, também estaria sendo julgado pelo que fez no Capitólio”, completou.

Apesar das críticas, Lula reforçou que o Brasil não deseja romper laços com os EUA, mas também não aceitará imposições unilaterais.

“Queremos negociar em paz, mas não ser reféns de país nenhum”

O presidente também destacou a importância de ampliar parcerias comerciais fora do eixo tradicional, mencionando o fortalecimento do Brics como alternativa para relações mais equilibradas.

Reação da Casa Branca e críticas ao Brasil

As declarações de Lula provocaram reação imediata do governo americano. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump “não quer ser imperador do mundo”, mas é “um líder forte do mundo livre”. Ela também voltou a criticar o Brasil por regulações digitais consideradas excessivas e por falhas na proteção à propriedade intelectual, que, segundo ela, prejudicam empresas americanas.

Essas críticas são apontadas como parte das motivações para a investigação comercial aberta contra o Brasil, e reacendem um histórico de desconfiança em relação à segurança jurídica e previsibilidade regulatória no país.

 

Taxação das big techs e cenário de incerteza

Durante evento no Congresso da UNE (Conune), também nesta quinta-feira, Lula anunciou que o Brasil irá tributar as grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos que atuam em território nacional.

“O Brasil vai julgar e cobrar imposto das empresas digitais norte-americanas.”

Disse, sem apresentar detalhes sobre a aplicação da medida.

Embora vista como um passo para fortalecer a soberania digital, a medida pode ser interpretada por investidores como sinal de endurecimento nas políticas regulatórias e fiscais, ampliando o clima de incerteza jurídica para empresas estrangeiras no país.

Equilíbrio delicado

Apesar das manifestações de firmeza e soberania, especialistas avaliam que a escalada retórica pode trazer repercussões econômicas e diplomáticas. Em ano eleitoral nos Estados Unidos e com o Brasil buscando reforçar sua posição nos fóruns multilaterais, a diplomacia brasileira terá o desafio de equilibrar a defesa de seus interesses com a manutenção de canais de diálogo abertos com sua maior economia parceira no hemisfério.

Publicidade

Leia mais

EUA acusam China de operar instalações com potencial uso militar na América Latina, incluindo bases no Brasil

Brenda Gomes

Senado aprova acordo entre Mercosul e União Europeia

Brenda Gomes

Supostas anotações de Flávio Bolsonaro expõem articulações do PL no Amazonas para 2026

Brenda Gomes

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Entendemos que você está de acordo com isso, mas você pode cancelar, se desejar. Aceito Leia Mais