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Amazonas descumpre carga horária mínima no Ensino Médio e tem maior déficit do país, aponta estudo

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Segundo levantamento da REPU, estado oferece até 25% menos horas do que o exigido por lei; aulas mais curtas e falhas na matriz curricular contribuem para a defasagem

Manaus – Um estudo realizado pela Rede Escola Pública e Universidade (REPU) revelou que o Amazonas é o estado com o maior déficit de carga horária no Ensino Médio em todo o país. A análise mostra que o estado não cumpre a carga horária mínima prevista por lei para a Formação Geral Básica (FGB), etapa obrigatória da educação média brasileira.

O levantamento avaliou 70 matrizes curriculares de todo o Brasil e comparou a oferta das disciplinas básicas antes, durante e após a implementação do Novo Ensino Médio (Lei nº 13.415/2017), além das projeções para 2025. No caso do Amazonas, os dados são alarmantes: a carga horária oferecida aos estudantes chega a ser até 25% inferior ao que determina a legislação mais recente (Lei nº 14.945/2024), que exige o mínimo de 2.400 horas letivas.

Segundo a REPU, o principal problema está na forma como a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc-AM) calcula a carga horária. O estudo aponta que a matriz curricular oficial omite o fator de conversão necessário para transformar a carga horária em horas relógio reais, o que resulta em uma defasagem significativa. Além disso, as aulas praticadas em sala de aula duram menos de 50 minutos, em vez dos 60 minutos estipulados nos documentos oficiais.

Foto: Reprodução

Essa diferença na duração das aulas provoca uma perda que equivale a, no mínimo, 100 dias letivos por ano, o equivalente à metade de um ano escolar. Em escolas onde as aulas duram apenas 45 minutos, o déficit chega a 600 horas, reduzindo a carga total para cerca de 1.800 horas, abaixo até mesmo da exigência da lei anterior.

Outro ponto destacado pelo estudo é que, caso o problema não seja corrigido, os certificados de conclusão do Ensino Médio emitidos pela rede estadual desde a implementação do Novo Ensino Médio podem ter sua validade questionada.

A reportagem procurou a Seduc-AM para comentar os dados apontados pelo estudo e esclarecer como o estado pretende cumprir a carga horária mínima exigida, mas até a última atualização não houve retorno.

A nova lei do Ensino Médio (14.945/2024), sancionada este ano, determina que os estados ampliem a carga horária da Formação Geral Básica para, no mínimo, 2.400 horas. No entanto, como mostra o estudo, muitos estados, incluindo o Amazonas, ainda não se adequaram plenamente às exigências legais.

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