Manifestações em várias capitais revelaram pautas opostas e consolidaram o caráter político da data
O 7 de Setembro de 2025 foi marcado por manifestações em todo o país, revelando a forte polarização política brasileira. Enquanto apoiadores da direita pediram anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro e criticaram o Supremo Tribunal Federal (STF), movimentos sociais e partidos de esquerda reforçaram bandeiras ligadas à justiça social, soberania nacional e enfrentamento à desigualdade.
Atos da direita
Em Brasília, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se concentraram em frente à Esplanada, com discursos de parlamentares aliados, entre eles Jaime Bagattoli (PL-RO), Zé Trovão (PL-SC), Mario Frias (PL-SP), Alberto Fraga (PL-DF), Damares Alves (Republicanos-DF) e Bia Kicis (PL-DF). As falas foram direcionadas contra o STF e o julgamento da chamada “trama golpista”, que apura tentativas de reverter o resultado das eleições de 2022.
No Rio de Janeiro, a manifestação ocorreu em Copacabana e contou com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e do governador Cláudio Castro (PL-RJ). Em São Paulo, o ato foi realizado na Avenida Paulista, repetindo críticas ao Judiciário e pedindo liberdade aos presos pelos ataques às sedes dos Três Poderes.
Atos da esquerda
Do outro lado, os movimentos sociais, sindicatos e partidos de esquerda promoveram o 31º Grito dos Excluídos, tradicional manifestação realizada no feriado da Independência. Em Brasília, o ato teve concentração na Praça Zumbi dos Palmares, com o lema “Vida em Primeiro Lugar”, e reuniu lideranças políticas como o ministro Márcio Macêdo (Secretaria-Geral da Presidência), a deputada federal Erika Kokay (PT-DF) e parlamentares locais.
As pautas incluíram a regulamentação da jornada de trabalho 6×1, a taxação dos super-ricos, um plebiscito popular e mais políticas públicas voltadas para idosos, mulheres, negros e pessoas em situação de rua. O evento também contou com música, poesia, rodas de capoeira e apresentações culturais.
Em São Paulo, os atos ocorreram na Praça da República e na Praça da Sé. Os manifestantes defenderam redução da jornada de trabalho sem corte salarial, isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e denunciaram temas como racismo estrutural, violência policial e insegurança alimentar. Lideranças como Guilherme Boulos (PSOL-SP) e Luiz Marinho (PT-SP) participaram das mobilizações.

Polarização reforçada
No entanto, a divisão de narrativas entre os dois campos ideológicos mostra que o 7 de Setembro segue mais associado ao embate político do que à celebração da independência, deixando em segundo plano o espírito de união nacional que a data deveria representar.


