Presidente brasileiro manda recados a Trump, condena ataques ao Judiciário e rejeita anistia a golpistas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu, nesta terça-feira (23), a 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, reafirmando que a democracia e a soberania do Brasil são “inegociáveis”. No discurso, Lula direcionou críticas à política externa dos Estados Unidos sob Donald Trump, condenou agressões ao Judiciário brasileiro e descartou anistia a envolvidos nos em atos de 08 de janeiro.
“Mesmo sob ataque sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia, reconquistada há 40 anos depois de duas décadas de governos ditatoriais”
Disse.
Segundo o presidente, ataques contra a independência das instituições brasileiras são “inaceitáveis” e têm contado com apoio de setores da extrema-direita.
“Não há pacificação com impunidade”
Afirmou Lula, em referência a movimentos que pedem anistia para apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Recados a Trump e críticas às sanções
Sem citar diretamente os Estados Unidos, Lula condenou medidas unilaterais de outros países.
“Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando a regra. Existe um evidente paralelo entre a crise do multilateralismo e o enfraquecimento da democracia”
Declarou.
As falas ocorrem em meio à escalada de tensão entre Brasil e EUA. Na segunda-feira (22), o governo Trump anunciou a revogação do visto do advogado-geral da União, Jorge Messias, e aplicou sanções financeiras, pela Lei Magnitsky, contra Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Com a medida, todos os eventuais bens da advogada em solo americano ficam bloqueados, e ela fica proibida de realizar transações com cidadãos e empresas dos EUA.
Em julho, o próprio ministro Alexandre de Moraes já havia sido alvo de sanções semelhantes.
Pontos centrais do discurso
Durante a fala, Lula também destacou outros temas:
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Caso Bolsonaro: disse que a condenação do ex-presidente foi um recado claro contra “candidatos a autocratas e seus apoiadores”;
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Regulação das redes sociais: defendeu maior controle internacional sobre plataformas digitais;
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Conflito em Gaza: condenou os ataques e afirmou que “nada justifica genocídio”;
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Mudanças climáticas: convocou líderes a assumirem compromissos durante a COP30, que será realizada no Brasil;
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Reforma da ONU: pediu atualização da estrutura da entidade e fortalecimento do multilateralismo.
Relação em crise
A relação entre Lula e Trump vem se deteriorando desde que Washington impôs sobretaxas de 50% a produtos brasileiros. O governo americano justificou a medida como resposta ao que chamou de “perseguição” contra Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelo STF por tentativa de golpe.
Ao rebater, Lula disse que a independência do Supremo é prova de que o país não abrirá mão de sua soberania.
“Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis.”


