João Muniz Leite teria auxiliado líder da facção em esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis, imóveis e motéis
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou, nesta quinta-feira (25/9), a Operação Spare, que mira um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os investigados está o contador João Muniz Leite, que já cuidou da contabilidade de empresas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na casa e no escritório de Leite, localizado em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, o mesmo prédio onde funcionavam empresas de Lulinha. O filho do presidente teria rompido a relação profissional no ano passado, após o contador se tornar alvo da Operação Fim da Linha, que apura a presença do PCC em empresas de ônibus da capital paulista.
Segundo o MPSP, Leite é acusado de elaborar declarações de Imposto de Renda para Flávio Silvério Siqueira, o Flavinho, apontado como operador financeiro da facção. Ele teria ajudado a justificar o aumento patrimonial de Siqueira e de outros familiares, além de usar “laranjas” e empresas de fachada para movimentar valores ilícitos.
A investigação aponta que Leite participou ativamente das estratégias de ocultação de bens e lucros, o que, segundo os promotores, demonstra sua colaboração direta com a facção criminosa.
Defesa
Por meio de nota assinada pelos advogados Jorge e Marcelo Delmanto, Leite negou envolvimento com o esquema. A defesa afirmou que o escritório prestou serviços para um dos investigados e suas empresas até 2020, mas que não há qualquer vínculo desde então.
“A própria busca e apreensão já demonstrou que não existe relação recente entre nosso cliente e os investigados
Disseram.
Relação com a família Lula
Leite já foi responsável pela contabilidade de empresas de Lulinha, como a BR4 Participações e a G4 Entretenimento, além de ter feito as declarações de Imposto de Renda do presidente Lula entre 2013 e 2016. Ele também foi ouvido como testemunha no caso do triplex do Guarujá, no âmbito da Lava Jato.
Histórico de investigações
O contador não é investigado pela primeira vez. Ele já havia sido suspeito de lavar dinheiro para o traficante Anselmo Becheli Santa Fausta, o Cara Preta, liderança do PCC assassinada em 2021. Durante os cinco anos em que atuou para ele, Leite e sua esposa foram contemplados 55 vezes em prêmios de loteria, o que levantou suspeitas de fraude para legalizar valores ilícitos.
Em depoimento à polícia, Leite alegou ter sido apresentado a Cara Preta por Vinícius Gritzbach, delator da facção que acabou assassinado no ano passado. Na ocasião, disse desconhecer as atividades criminosas do traficante.


