Servidores eram obrigados a repassar metade do salário, e operação encontrou quase R$ 1 milhão em cofres ligados ao parlamentar
O vereador Rosinaldo Bual (Agir-AM) foi preso durante a Operação Face Oculta, deflagrada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM). A investigação revelou que servidores do gabinete eram forçados a devolver 50% dos salários, em dinheiro ou transferência, para beneficiar o parlamentar.
Durante a operação, agentes apreenderam três cofres em imóveis ligados a Bual, com R$ 390 mil em espécie, cheques que somavam mais de R$ 500 mil, além de documentos e passaportes. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 2,5 milhões e o afastamento dele do cargo por 120 dias.
Como funcionava o esquema
Segundo o MPAM, o vereador mantinha entre 40 e 50 assessores nomeados, número muito acima da real necessidade. Alguns sequer desempenhavam funções no gabinete. Embora recebessem salários altos, eram intimidados a devolver metade da remuneração.
A cobrança era feita pela chefe de gabinete, considerada peça-chave do esquema. O dinheiro era repassado a pessoas de confiança e, depois, revertido em benefício direto do parlamentar.
A quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça comprovou transferências para a conta pessoal de Bual e revelou movimentações financeiras incompatíveis com os rendimentos declarados.
Prisão e novas descobertas
Além de Bual e da chefe de gabinete, a operação cumpriu 17 mandados de busca e apreensão. O vereador também foi preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo.
As investigações ainda apontam que parte dos valores arrecadados com a rachadinha era usada em agiotagem.
Quem é Rosinaldo Bual
Natural de Manacapuru (AM), Rosinaldo Bual tem 49 anos, é casado, pai de três filhos e foi eleito vereador de Manaus em 2020, sendo reeleito em 2024, com 7.892 votos.
No perfil oficial da Câmara Municipal de Manaus, afirma atuar há mais de 20 anos em trabalhos sociais, especialmente no bairro da Compensa. Atualmente, presidia a 8ª Comissão de Transporte, Mobilidade Urbana e Acessibilidade.
Antes da carreira política, foi instrutor e perito de trânsito, empresário do setor de autoescolas e também serviu como sargento do Exército até 2004.


