O ministro Luís Roberto Barroso anunciou, nesta quinta-feira (9/10), sua saída antecipada do Supremo Tribunal Federal (STF), encerrando uma trajetória de 12 anos na mais alta instância do Judiciário brasileiro. A decisão ocorre poucos dias após ele deixar a presidência da Corte, cargo que passou ao ministro Edson Fachin no fim de setembro.
Durante a sessão plenária, Barroso informou que permanecerá por alguns dias apenas para finalizar pedidos de vista e resolver pendências, mas destacou que sua participação em plenário se encerra imediatamente.
“Essa é a última sessão plenária de que participo. Foram anos de imensa dedicação à causa da justiça e da democracia. A vida me concedeu a bênção de servir ao país.”
Declarou, em carta de despedida lida no plenário.
Emocionado, o ministro agradeceu aos colegas e reconheceu os desafios pessoais enfrentados ao longo do mandato.
“Nada disso me afastou de dar o melhor de mim. Sinto que agora é hora de seguir outros rumos. Nem sequer os tenho bem definidos, mas não tenho qualquer apego ao poder.”
Afirmou.
Barroso ainda ressaltou o impacto da função sobre a vida pessoal:
“Os sacrifícios e ônus da nossa profissão acabam se transferindo aos nossos familiares. Gostaria de me despedir reafirmando minha fé nas pessoas”
Completou.
Nova indicação para o STF
A saída de Barroso, aos 67 anos, abre espaço para uma nova indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já havia nomeado dois ministros para o STF neste mandato. A aposentadoria compulsória na Corte ocorre apenas aos 75 anos, o que confirma que a decisão foi pessoal e voluntária.
Fontes próximas ao magistrado afirmam que a vontade de deixar o cargo já existia desde o fim de sua gestão como presidente, mas teria se intensificado diante da atual tensão diplomática entre o Brasil e os Estados Unidos.
A família de Barroso teria sido indiretamente afetada por sanções impostas pelo governo de Donald Trump, que suspendeu vistos de autoridades brasileiras e seus familiares, entre eles o ministro Alexandre de Moraes, aliado próximo de Barroso.
Com a saída confirmada, o Palácio do Planalto já se movimenta para definir o nome que ocupará a nova vaga no Supremo, em uma escolha que promete impactar o equilíbrio político e jurídico da Corte.


