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Meio Ambiente

Desafios da gestão de resíduos na Amazônia ganham destaque às vésperas da COP30

Embaixador do Instituto Lixo Zero alerta que 91,9% dos municípios do Amazonas ainda usam lixões e defende a adoção da metodologia Lixo Zero como alternativa sustentável
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Às vésperas da abertura da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que começa nesta segunda-feira (10) em Belém, o embaixador do Instituto Lixo Zero do Brasil (ILZB) no Amazonas, Daniel Santos, chama atenção para um problema que, segundo ele, ainda é negligenciado nas políticas ambientais: o manejo inadequado de resíduos sólidos na região Norte.

O biólogo, que participa da conferência acompanhando os debates sobre sustentabilidade e gestão de resíduos, afirma que, apesar do protagonismo da Amazônia nas discussões climáticas globais, o tema ainda é tratado de forma secundária.

“São muitas as cidades amazônicas que carecem de infraestrutura adequada para coleta, triagem e destinação final dos resíduos. O resultado é a contaminação de rios, solos e comunidades, com impactos diretos na saúde humana e nos ecossistemas”

Destaca Santos.

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A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº 12.305/2010, completou 15 anos em 2025. Embora tenha representado um marco regulatório importante, ainda enfrenta grandes desafios de implementação. A lei previa o fim dos lixões até 2020, com prazo estendido para 2024 em cidades menores de 50 mil habitantes, meta que também não foi cumprida.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 91,9% dos municípios amazonenses ainda utilizam lixões, o maior índice do país. Estados como Maranhão (86,2%), Roraima (85,7%) e Pará (82,6%) aparecem logo atrás.

Santos avalia que esse cenário revela um paradoxo: “Estamos discutindo o futuro do planeta em uma região que ainda convive com práticas de descarte incompatíveis com a sustentabilidade”.

A PNRS estabelece princípios como não geração e redução de resíduos na fonte, logística reversa, responsabilidade compartilhada e destinação ambientalmente adequada, mas, segundo o embaixador, a falta de integração entre governos, empresas e sociedade civil tem impedido o avanço dessas diretrizes.

“Em muitos municípios amazônicos, não há planos consolidados de gestão de resíduos nem sistemas eficientes de coleta seletiva. A ausência de políticas contínuas e fiscalização efetiva perpetua um ciclo de degradação que compromete o equilíbrio ecológico e a qualidade de vida da população”

Alerta.

A proposta Lixo Zero

Como alternativa, Daniel Santos defende a adoção da Metodologia Lixo Zero, que se baseia em princípios como não geração, reutilização, reciclagem, compostagem e economia circular. O método busca desviar mais de 90% dos resíduos de aterros e lixões.

“Sua aplicação prática na Amazônia poderia criar cooperativas de catadores, gerar empregos verdes, fortalecer cadeias locais de reciclagem e reduzir drasticamente o impacto ambiental dos centros urbanos”

Afirma.

Para o embaixador, adotar o conceito Lixo Zero nas políticas públicas amazônicas seria mais do que uma medida ambiental, seria um gesto de coerência e liderança global.

“A Amazônia é símbolo mundial da sustentabilidade. Implementar essa metodologia em escala regional poderia transformar a região em referência internacional e reforçar o papel do Brasil nas discussões sobre clima e economia verde”

Conclui.

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