A nova série “Ângela Diniz: Assassinada e Condenada”, estrelada por Marjorie Estiano, chegou ao catálogo da HBO Max trazendo de volta às telas um dos casos mais marcantes da luta contra a violência de gênero no Brasil. A produção recria os últimos anos da vida de Ângela Diniz, a relação conturbada com o então namorado Doca Street e o impacto que o crime causou na sociedade brasileira.
Com direção de José Luiz Villamarim e participação de atores como Antônio Fagundes, Thiago Lacerda, Camila Márdila e Yara de Novaes, a série dramatiza não apenas o assassinato, mas também os julgamentos que mudaram o entendimento da Justiça sobre a violência contra mulheres no país. O caso expôs o machismo presente na sociedade da época e influenciou debates que seguem atuais.
Quem foi Ângela Diniz
Ângela Diniz nasceu em Belo Horizonte, em 1944, e se tornou figura conhecida pela elegância, beleza e presença constante na alta sociedade mineira e carioca. Independente e vista como transgressora para os padrões da época, separou-se cedo, teve três filhos e se mudou para o Rio de Janeiro, onde levou uma vida marcada por festas, glamour e intensa exposição social.
Em 1976, aos 32 anos, Ângela iniciou um relacionamento com Raul Fernando do Amaral Street, conhecido como Doca Street. Amigos próximos relatavam episódios de ciúmes, controle e conflitos. No dia 30 de dezembro daquele ano, ela foi assassinada com quatro tiros na casa de praia em Búzios (RJ), após uma discussão do casal.
O crime teve enorme repercussão nacional e expôs o tratamento desigual dado às vítimas de feminicídio. No primeiro julgamento, Doca tentou justificar o assassinato alegando a chamada “legítima defesa da honra”, tese que ainda encontrava eco na sociedade da época. Ele foi condenado a apenas dois anos de prisão, o que gerou revolta e mobilizou movimentos feministas em todo o país.
A pressão popular levou a um novo julgamento, em 1981, quando Doca teve sua pena ampliada para 15 anos. Décadas depois, em 2023, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional qualquer tentativa de utilizar a tese da “defesa da honra” em crimes relacionados a violência de gênero.
Uma história real que segue relevante
A série busca resgatar a memória de Ângela e revisitar os impactos de seu caso, que se tornou símbolo da luta por direitos das mulheres e por justiça em crimes de feminicídio. A produção também destaca as transformações sociais ocorridas desde então, muitas delas impulsionadas pela repercussão do assassinato.
O elenco conta ainda com Thelmo Fernandes, Renata Gaspar, Carolina Ferman, Joaquim Lopes, Emílio de Mello, Marina Provenzzano, Maria Volpe, Gustavo Wabner, entre outros nomes. A obra foi escrita por Elena Soárez e tem produção executiva de José Luiz Villamarim, Lorena Bondarovsky e Renata Brandão.
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