Dados do Ministério da Saúde indicam que, até novembro de 2025, foram contabilizados 1,6 milhão de casos prováveis de dengue, com destaque para São Paulo e estados do Nordeste, regiões mais afetadas. Apesar disso, o número de casos apresenta queda de 72% em relação a 2024, evidenciando impacto de medidas preventivas e de imunização.
O avanço é atribuído à vacina Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan, que utiliza vírus vivo atenuado, tecnologia já validada em imunizantes contra sarampo, caxumba, rubéola, febre amarela e rotavírus. Estudos indicam que a vacina estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos e células de defesa, garantindo proteção significativa contra infecção e formas graves da doença.
Segurança e eficácia comprovadas
Testes clínicos mostraram que os efeitos adversos da Butantan-DV são leves a moderados, incluindo cefaleia, fadiga e exantema (manchas vermelhas na pele). Eventos graves são raros e consistentes com outras vacinas de vírus vivo atenuado.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avaliou que o risco-benefício da vacina é favorável, considerando a elevada carga da dengue no país. A agência reforça que será necessário acompanhamento contínuo para monitorar a segurança e eficácia da vacina em larga escala.
Histórico de pesquisa e testes clínicos
O desenvolvimento da Butantan-DV iniciou em 2009 e contou com colaboração internacional do National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos. Os ensaios clínicos foram conduzidos em fases:
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Fase 1: 113 voluntários nos EUA, com imunogenicidade inicial de 90%.
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Fase 2: 300 adultos brasileiros confirmaram segurança e respostas imunes robustas.
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Fase 3: um dos maiores estudos clínicos já feitos no país, envolvendo 16 mil voluntários entre 2 e 59 anos, demonstrou eficácia geral de 74,7% e proteção de 91,6% contra formas graves da doença.
A Butantan-DV se mostra eficaz também em casos sintomáticos e graves, reduzindo hospitalizações e pressão sobre os serviços de saúde. Além disso, é segura para pessoas que não tiveram contato prévio com o vírus.
Produção nacional fortalece imunização
A vacina permite transferência de tecnologia e produção em larga escala no Brasil, reduzindo dependência de importações e garantindo resposta rápida em surtos críticos.
É importante destacar que a vacinação não interrompe a transmissão da dengue, transmitida por mosquitos, e deve ser combinada com estratégias de controle vetorial, incluindo limpeza de criadouros, monitoramento e campanhas educativas.
Abrangência e vigilância ampliada
As áreas com maior circulação do mosquito incluem Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, com surtos recentes em cidades como Cuiabá (MT). A vacina é parte de uma estratégia combinada, aliando imunização, controle ambiental e vigilância epidemiológica, aumentando a proteção da população contra a dengue.


