O ataque ocorrido neste domingo (14) durante uma celebração judaica na praia de Bondi, em Sydney, que deixou ao menos 12 mortos, reacendeu o alerta internacional sobre a violência direcionada à comunidade judaica. O episódio se soma a uma série de atentados registrados nos últimos 30 anos, em diferentes continentes, muitos deles ocorridos em sinagogas, centros culturais e eventos religiosos.
Embora os contextos variem, os ataques têm em comum o caráter de ódio religioso e, em vários casos, a ligação com extremismo político ou ideológico.
Buenos Aires, 1994: o ataque mais mortal
O atentado mais grave contra judeus nas últimas décadas ocorreu em 18 de julho de 1994, na Argentina. Um carro-bomba explodiu em frente à Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em Buenos Aires, matando 85 pessoas e deixando mais de 200 feridos.
O ataque marcou profundamente a história do país e da comunidade judaica internacional. Em 2019, o governo argentino declarou o Hezbollah como organização terrorista, com apoio dos Estados Unidos, em meio às investigações sobre o caso.
Copenhaga, 2015
Em 14 de fevereiro de 2015, um jovem armado matou duas pessoas em dois ataques consecutivos: um em um centro cultural e outro em uma sinagoga na capital da Dinamarca. Outras pessoas ficaram feridas. O agressor foi morto pelas autoridades após os ataques.
Pittsburgh, 2018
Nos Estados Unidos, um dos atentados mais chocantes ocorreu em 27 de outubro de 2018, quando um supremacista branco abriu fogo em uma sinagoga na cidade de Pittsburgh, no estado da Pensilvânia.
Onze pessoas morreram, no ataque considerado o mais letal contra judeus na história dos EUA. O agressor foi preso após confronto com a polícia.
San Diego, 2019
Em 27 de abril de 2019, um jovem de 19 anos atacou uma sinagoga em Poway, próxima a San Diego, na Califórnia. Uma pessoa morreu e outras ficaram feridas.
Antes do ataque, o atirador havia publicado um manifesto antissemita nas redes sociais, exaltando outros ataques contra judeus.
Halle, Alemanha, 2019
Em 9 de outubro de 2019, durante o Yom Kippur, um extremista de direita tentou invadir uma sinagoga em Halle, no leste da Alemanha. Sem conseguir entrar, ele atirou contra pessoas nas proximidades, matando duas pessoas.
O governo de Israel classificou o ataque como um reflexo do crescimento do antissemitismo na Europa.
Djerba, Tunísia, 2023
Em 10 de maio de 2023, um integrante da Guarda Nacional da Tunísia abriu fogo próximo a uma sinagoga na ilha de Djerba, um importante local de peregrinação judaica.
O ataque deixou cinco mortos, incluindo dois peregrinos e três agentes de segurança, além de oito feridos. O agressor foi abatido.
Washington, 2025
Em 21 de maio de 2025, um homem matou a tiros dois funcionários da Embaixada de Israel em Washington, nos Estados Unidos. Segundo as autoridades, após o ataque, o suspeito gritou “Palestina Livre”.
O caso foi tratado como crime de ódio e gerou forte reação diplomática.
Manchester, 2025
Poucos meses depois, em 2 de outubro de 2025, durante as celebrações do Yom Kippur, um homem de 35 anos, britânico de origem síria, atropelou e esfaqueou pessoas do lado de fora de uma sinagoga em Manchester, na Inglaterra.
O ataque resultou em pelo menos dois mortos. O agressor foi morto pelas forças de segurança.
Sydney, 2025
O episódio mais recente ocorreu em Sydney, quando dois homens atacaram uma celebração judaica ao ar livre na praia de Bondi, resultando em múltiplas mortes. As autoridades australianas investigam o caso como ato terrorista.
Contexto mais amplo
A década também foi marcada pelo ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que deixou cerca de 1.200 mortos. Apesar da magnitude, agências internacionais destacam que o episódio está inserido no conflito israelo-palestiniano, diferindo dos ataques antissemitas direcionados a civis judeus fora de zonas de guerra.


