A segunda-feira pós-Carnaval marcou o que, nos bastidores políticos do Amazonas, já é tratado como o início efetivo da corrida pelo Governo do Estado.
O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), anunciou que pretende renunciar ao cargo até 4 de abril para disputar o governo atualmente ocupado por Wilson Lima (União Brasil).
Nos bastidores, porém, o governador também movimenta o tabuleiro. Segundo interlocutores, Wilson tem reavaliado a possibilidade de deixar o cargo para disputar uma vaga no Senado Federal, diante de sinais de que poderia não ter apoio político suficiente para a empreitada.
Disputa que parecia definida muda de rumo
Desde novembro do ano passado, o cenário eleitoral, que caminhava para um confronto entre o senador Omar Aziz (PSD) e a empresária Maria do Carmo Seffair (PL), passou por reviravoltas.
O principal fator foi o reposicionamento de David Almeida. O prefeito se afastou gradualmente de Omar, que o apoiou na reeleição em 2024. À época, David declarou ter percebido influência do senador em processos judiciais e decisões na Assembleia Legislativa que o afetavam, com tramitação acelerada.
Novo nome entra na disputa
Em janeiro, outro ator político passou a figurar no cenário: o vice-governador Tadeu de Souza (Progressistas).
Conhecido por atuação discreta, Tadeu reaproximou-se de Wilson Lima após um período de distanciamento em 2024. Desde então, ganhou protagonismo em agendas institucionais e passou a ocupar espaço estratégico no grupo governista.
Cenário aberto até julho
Neste momento, Omar Aziz, David Almeida, Maria do Carmo Seffair e Tadeu de Souza se posicionam como pré-candidatos ao Governo do Amazonas.
Contudo, o cenário permanece fluido e pode sofrer alterações até julho, prazo crucial para definições partidárias.
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David e Omar são considerados nomes consolidados e mantêm a decisão de disputar o cargo em qualquer contexto.
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Maria do Carmo enfrenta articulações do governador para atrair o PL ao seu grupo político, embora o presidente estadual da legenda, Alfredo Nascimento, sustente que a candidatura dela é irreversível.
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Tadeu de Souza depende diretamente do movimento final de Wilson Lima. Caso o governador permaneça no cargo, a candidatura do vice fica inviabilizada.
Jogo estratégico
A disputa evidencia um cenário de realinhamentos, alianças instáveis e decisões estratégicas em cadeia, em que cada movimento pode redefinir o equilíbrio político no Estado.
Com anúncios públicos e articulações reservadas acontecendo simultaneamente, a sucessão estadual deixa de ser especulação e entra oficialmente em fase de ebulição.


