A polícia do Reino Unido prendeu, nesta segunda-feira (23), o ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, Peter Mandelson, sob suspeita de conduta imprópria no exercício de cargo público.
A investigação apura se o ex-diplomata teria facilitado o acesso a informações oficiais confidenciais ao financista norte-americano Jeffrey Epstein, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações relacionadas a tráfico sexual de menores.
Prisão ocorreu em residência no norte de Londres
Em nota, a Scotland Yard informou que um homem de 72 anos foi detido em sua residência no bairro de Camden, em Londres. A corporação não divulgou oficialmente o nome do suspeito, mas a BBC transmitiu ao vivo imagens que mostravam Mandelson entrando em um carro policial sem identificação.
Segundo a Polícia Metropolitana de Londres, a prisão foi realizada após buscas em duas propriedades, uma na capital britânica e outra no condado de Wiltshire, nos últimos dias. O ex-embaixador foi conduzido a uma delegacia para interrogatório.
Informações teriam sido enviadas em 2009 e 2010
Documentos divulgados nos Estados Unidos indicam que, em 2009, Mandelson teria informado Epstein sobre a intenção do governo britânico, então liderado por Gordon Brown, de vender ativos públicos como resposta à crise financeira global de 2008.
No ano seguinte, ele também teria compartilhado detalhes sobre um possível pacote de resgate da União Europeia para a Grécia, medida que buscava conter a crise da dívida e evitar impactos em toda a zona do euro.
Trajetória política e exoneração
Mandelson já ocupou cargos de destaque no Partido Trabalhista, incluindo o posto de comissário europeu do Comércio entre 2004 e 2008.
Ele foi nomeado embaixador em Washington em fevereiro de 2025 pelo primeiro-ministro Keir Starmer, mas acabou demitido sete meses depois, quando vieram a público informações sobre a extensão de seus laços com Epstein.
Caso envolve também o ex-príncipe Andrew
A detenção de Mandelson ocorre poucos dias após a prisão do ex-príncipe Prince Andrew, irmão do rei Charles III.
Andrew foi detido para prestar esclarecimentos sobre suposto comportamento impróprio no exercício de função pública, relacionado ao envio de informações governamentais a Epstein quando atuava como enviado comercial do Reino Unido. Ele foi posteriormente liberado, enquanto as investigações seguem em andamento.
As autoridades britânicas não informaram prazo para conclusão dos inquéritos.


