Crianças que recebem o primeiro smartphone antes dos 12 anos podem apresentar mais sintomas de depressão, maior risco de obesidade e problemas relacionados ao sono. A conclusão é de um estudo internacional que analisou dados de mais de 10 mil adolescentes e foi publicado na revista Pediatrics.
De acordo com a pesquisa, o uso do smartphone já é comum antes da adolescência. Entre crianças de 8 anos, 46% já possuíam aparelho próprio. Aos 14 anos, esse percentual sobe para 89%. A idade média de aquisição do primeiro celular foi de 11 anos.
Os pesquisadores observaram que adolescentes que tiveram contato mais cedo com o dispositivo apresentaram risco 30% maior de sintomas depressivos, além de maior incidência de distúrbios do sono, com cerca de 60% relatando dormir menos do que o recomendado.
Especialistas destacam que os riscos não estão ligados apenas ao aparelho em si, mas também ao tempo de exposição, ao uso excessivo e à presença constante em ambientes digitais. Fatores como sedentarismo, privação de sono e exposição a estímulos intensos nas redes sociais também contribuem para os impactos negativos.
Uso excessivo e saúde mental
O estudo aponta que os efeitos se tornam mais evidentes quando o tempo de uso ultrapassa duas horas diárias. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o limite recomendado é:
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Até 2 horas por dia para crianças entre 6 e 10 anos;
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Até 3 horas por dia para adolescentes entre 11 e 18 anos;
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Para menores de 6 anos, o uso deve ser mínimo e sempre supervisionado.
A SBP reforça que o celular não deve substituir atividades físicas, convivência social e momentos de lazer offline, fundamentais para o desenvolvimento emocional e cognitivo.
Idade importa
Especialistas alertam que a faixa entre 8 e 12 anos é um período importante de consolidação de hábitos e amadurecimento do córtex pré-frontal, área do cérebro ligada ao controle de impulsos e à regulação emocional. A introdução precoce e sem limites pode impactar esse processo.
Apesar da associação identificada, os pesquisadores ressaltam que a relação é complexa e envolve múltiplos fatores sociais e familiares. Crianças em contextos mais vulneráveis, por exemplo, tendem a ter acesso mais cedo aos dispositivos.
Recomendações
Entre as principais orientações estão:
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Evitar telas durante as refeições;
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Não permitir o uso antes de dormir;
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Priorizar atividades físicas e interação social presencial;
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Estabelecer regras claras e supervisão constante;
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Adiar, sempre que possível, a entrega do primeiro smartphone.
O debate sobre o uso de tecnologia na infância cresce à medida que o acesso aos dispositivos se torna cada vez mais precoce, reforçando a importância do equilíbrio entre o mundo digital e o desenvolvimento saudável.


