A Polícia Civil de São Paulo concluiu, nesta terça-feira (17), o inquérito sobre a morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, e decidiu indiciar o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto por feminicídio e fraude processual.
A investigação representa uma reviravolta no caso, que inicialmente havia sido registrado como suicídio, mas passou a ser tratado como crime após o surgimento de novos elementos.
Além do indiciamento, a Polícia Civil solicitou a prisão do tenente-coronel, que ainda depende de decisão da Justiça de São Paulo.
Gisele foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro, com um tiro na cabeça, no apartamento onde vivia com o companheiro, no bairro do Brás, na região central da capital paulista.
Versão apresentada é contestada por testemunhas
Em depoimento, o oficial afirmou que a esposa teria tirado a própria vida após uma discussão relacionada ao fim do relacionamento. Segundo ele, o disparo ocorreu enquanto estava no banho.
No entanto, relatos de testemunhas e inconsistências na cena colocaram essa versão sob suspeita.
Um bombeiro que atendeu a ocorrência afirmou ter estranhado a posição do corpo e destacou que o cenário não apresentava características típicas de suicídio. Diante da situação, ele decidiu registrar imagens por conta própria.
O comportamento do tenente-coronel também chamou atenção. De acordo com o relato, ele não demonstrava reação compatível com um momento de desespero.
Laudo pericial aponta sinais de violência
O laudo necroscópico do Instituto Médico Legal apontou que a morte foi causada por traumatismo crânio-encefálico provocado por disparo de arma de fogo.
A perícia indicou que o tiro foi realizado à queima-roupa, ou seja, com a arma muito próxima da cabeça da vítima.
O documento também revelou hematomas ao redor dos olhos, além de lesões no rosto e no pescoço, incluindo marca compatível com unha, o que sugere possível agressão antes do disparo.
Histórico do relacionamento reforça suspeitas
Durante as investigações, surgiram relatos de que o casal vivia um relacionamento conturbado, com indícios de comportamento abusivo.
Com base nos depoimentos, provas técnicas e análise pericial, a Polícia Civil concluiu que há elementos suficientes para o indiciamento do oficial.
O caso segue agora para a Justiça, que deve decidir sobre o pedido de prisão e os próximos desdobramentos do processo.


