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Saúde

Casos de sarampo disparam nos EUA, mas Brasil mantém proteção com alta cobertura vacinal

Aumento expressivo de infecções nos Estados Unidos acende alerta para a importância da vacinação, mas especialistas afirmam que o cenário brasileiro segue sob controle graças à vigilância epidemiológica e à imunização
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Os Estados Unidos enfrentam o maior avanço do sarampo das últimas décadas, com registros que já superam o total acumulado entre 2000 e 2024. A doença, considerada eliminada no país desde o ano 2000, voltou a preocupar autoridades de saúde devido à queda na cobertura vacinal.

Em 2025, os EUA registraram 2.289 casos, número que já foi ultrapassado em 2026, quando o país contabiliza 2.318 infecções, segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

A principal explicação para o avanço da doença é a redução da vacinação, intensificada durante a pandemia de Covid-19. A cobertura vacinal permanece abaixo dos 95% considerados necessários para interromper a circulação do vírus. Entre os casos registrados neste ano, 93% ocorreram em pessoas não vacinadas ou com situação vacinal desconhecida.

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Embora nenhuma vacina ofereça proteção absoluta, especialistas destacam que a imunização reduz significativamente o risco de infecção e, principalmente, de formas graves da doença.

Brasil mantém certificado de eliminação

No Brasil, o cenário é diferente. O país recuperou, em 2024, o certificado de eliminação do sarampo, após reforçar as estratégias de vacinação e vigilância epidemiológica.

Entre 2018 e 2022, o vírus voltou a circular e provocou mais de 39 mil casos, fazendo o Brasil perder temporariamente esse reconhecimento. Desde então, houve queda expressiva das notificações: nenhum caso foi registrado em 2023 e apenas cinco foram confirmados em 2024.

Em 2025, foram confirmados 38 casos, sendo 25 relacionados a um surto no Tocantins, iniciado após a chegada de uma família vinda da Bolívia.

Segundo especialistas, os casos registrados atualmente costumam estar ligados a viagens internacionais, mas a elevada cobertura vacinal e a resposta rápida da vigilância em saúde impedem que o vírus volte a circular de forma sustentada no país.

Vacinação continua sendo a principal proteção

No Brasil, a vacina Tríplice Viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A primeira dose é aplicada, em geral, aos 12 meses de idade, podendo ser antecipada em situações específicas de risco. Crianças, adolescentes e adultos que não completaram o esquema vacinal também devem atualizar a imunização conforme a recomendação do Ministério da Saúde.

Em 2025, a cobertura da primeira dose no Brasil foi de 92,9%, abaixo da meta ideal de 95%, mas ainda considerada suficiente para reduzir o risco de surtos de grande proporção.

Doença pode causar complicações graves

O sarampo é uma doença altamente contagiosa, transmitida pelo ar, e provoca sintomas como febre alta, manchas vermelhas na pele, tosse e vermelhidão nos olhos.

Além do quadro infeccioso, a doença pode provocar complicações neurológicas e respiratórias graves. Em média, uma em cada mil pessoas infectadas desenvolve encefalite aguda, uma inflamação cerebral que pode deixar sequelas permanentes.

Outra complicação rara, porém fatal, é a panencefalite esclerosante subaguda (PESS), doença degenerativa que pode surgir entre sete e onze anos após a infecção, principalmente em crianças infectadas antes dos dois anos de idade.

Especialistas reforçam que, apesar do aumento de casos nos Estados Unidos, não há indicativos de que o Brasil esteja prestes a enfrentar um novo surto, desde que a população mantenha a vacinação em dia e a vigilância epidemiológica continue identificando rapidamente possíveis casos importados.

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