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Nem planeta, nem lua: cientistas identificam objeto espacial que desafia definições da astronomia

Corpo celeste localizado a 73 anos-luz da Terra não se encaixa nas classificações conhecidas e pode inaugurar uma nova categoria astronômica
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Corpo celeste localizado a 73 anos-luz da Terra não se encaixa nas classificações conhecidas e pode inaugurar uma nova categoria astronômica

Astrônomos descobriram um objeto celeste com características inéditas que está intrigando a comunidade científica. Localizado a cerca de 73 anos-luz da Terra, o corpo não pode ser classificado como planeta, lua ou exolua, desafiando os critérios tradicionais utilizados pela astronomia.

A descoberta foi detalhada em um estudo publicado na revista científica Nature. O objeto orbita uma anã marrom, um tipo de astro maior que um planeta gigante, mas pequeno demais para sustentar a fusão nuclear que caracteriza as estrelas.

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O sistema está localizado ao redor da anã marrom CD-35 2722, e justamente essa configuração incomum tornou difícil definir a natureza do novo corpo celeste.

Segundo as regras da União Astronômica Internacional (UAI), um planeta precisa orbitar uma estrela, possuir massa suficiente para adquirir formato aproximadamente esférico e dominar gravitacionalmente sua órbita. Já uma exolua é definida como um satélite natural que orbita um exoplaneta.

O objeto recém-descoberto não atende a nenhuma dessas definições. Ele não pode ser considerado uma exolua porque orbita uma anã marrom, e não um planeta, mas também não é um planeta, já que não gira em torno de uma estrela.

Diante da dificuldade de classificação, os pesquisadores passaram a chamá-lo provisoriamente de “exossatélite”, um termo que descreve apenas sua função de satélite, sem vinculá-lo às categorias já existentes.

“O sistema é tão diferente do nosso que os termos usados atualmente para descrever objetos celestes simplesmente deixam de fazer sentido”, afirmou Kevin Hoy, autor principal do estudo, em entrevista ao portal Science News.

Os cientistas acreditam que o objeto tenha composição predominantemente gasosa, em vez de rochosa ou metálica, embora ainda existam muitas incertezas sobre sua formação.

Especialistas que não participaram da pesquisa consideram que a descoberta pode levar a uma revisão das classificações astronômicas. Para a astrônoma Mary Anne Limbach, da Universidade de Michigan, o termo “exossatélite” é o mais adequado até que a comunidade científica chegue a um consenso.

A descoberta também reacendeu o debate sobre as chamadas exoluas, satélites naturais que orbitam planetas localizados fora do Sistema Solar. Embora mais de seis mil exoplanetas já tenham sido catalogados desde 1992, nenhuma exolua foi confirmada de forma definitiva até hoje.

Para os pesquisadores, o novo objeto representa mais do que uma curiosidade astronômica: ele evidencia que o universo ainda guarda estruturas capazes de desafiar os conceitos científicos estabelecidos, abrindo caminho para novas definições sobre a formação e a classificação de corpos celestes.

Nota da redação: Parte das informações utilizadas na elaboração desta reportagem foi baseada em conteúdo publicado pela revista Superinteressante, da Editora Abril, complementado por outras fontes de divulgação científica.

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