Um estudo internacional publicado na revista científica eBioMedicine acendeu um alerta sobre o uso indiscriminado da testosterona. A pesquisa concluiu que homens que iniciam a terapia hormonal sem diagnóstico de hipogonadismo apresentam maior risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca, parada cardíaca e até morte.
O levantamento, considerado o maior já realizado sobre o tema, acompanhou quase 360 mil homens, com idades entre 30 e 75 anos, por um período de até 10 anos. Os pesquisadores compararam pacientes que utilizaram testosterona com indicação médica e aqueles que iniciaram o tratamento sem apresentar deficiência hormonal comprovada.
Após ajustar fatores como idade, peso, pressão arterial e doenças pré-existentes, os cientistas observaram que homens sem diagnóstico de hipogonadismo tiveram um risco 51% maior de desenvolver eventos cardiovasculares graves. Além disso, o risco de morte por qualquer causa foi 90% maior nesse grupo. Também foi registrado aumento nos casos de AVC isquêmico, insuficiência cardíaca e parada cardíaca.
A testosterona é um hormônio essencial para diversas funções do organismo masculino, como manutenção da massa muscular, saúde óssea, metabolismo, fertilidade e função sexual. Quando há deficiência comprovada, conhecida como hipogonadismo, a reposição hormonal pode ser indicada após avaliação médica e confirmação por exames laboratoriais.
Nos últimos anos, porém, o hormônio passou a ser utilizado por pessoas que não apresentam deficiência, principalmente com o objetivo de ganhar massa muscular, melhorar o desempenho físico ou combater o envelhecimento, prática que preocupa especialistas.
Os autores do estudo destacam que a segurança da terapia depende da indicação correta, reforçando que a reposição hormonal deve ser prescrita apenas após diagnóstico clínico e laboratorial, além de acompanhamento médico contínuo.
Embora o estudo seja observacional e não comprove uma relação direta de causa e efeito, os pesquisadores afirmam que o grande número de participantes e o longo período de acompanhamento fortalecem as evidências de que o uso de testosterona sem necessidade médica está associado a um aumento dos riscos cardiovasculares.

