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Saúde

Vitamina C pode estar associada à preservação da saúde cerebral, aponta estudo

Pesquisa com mais de 2 mil idosos encontrou relação entre maiores níveis do nutriente no sangue e indicadores de integridade cerebral, mas resultado não comprova causa e efeito
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Conhecida principalmente pela atuação no sistema imunológico, a vitamina C também vem sendo estudada por sua possível relação com a saúde do cérebro. Uma pesquisa realizada com mais de 2 mil idosos identificou uma associação entre concentrações mais elevadas do nutriente no organismo e melhores indicadores relacionados à estrutura e ao funcionamento cerebral.

O trabalho analisou 2.044 participantes, combinando exames de imagem, como ressonância magnética, com a avaliação dos níveis de vitamina C no sangue.

Os resultados apontaram uma relação entre maiores concentrações do nutriente e características consideradas favoráveis à integridade estrutural do cérebro e à função neuronal.

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O achado, entretanto, deve ser interpretado com cautela. Por se tratar de um estudo observacional e transversal, os pesquisadores identificaram uma associação, mas não demonstraram que o consumo de vitamina C seja diretamente responsável pelas diferenças encontradas.

Estudo não comprova que vitamina C previne doenças

Esse é um dos pontos mais importantes da pesquisa.

Os dados não permitem afirmar que aumentar o consumo de vitamina C melhora o cérebro, evita declínio cognitivo ou previne doenças como o Alzheimer.

Também não há, a partir desses resultados, indicação para o uso de suplementos de vitamina C com a finalidade de proteger a saúde cerebral.

Características dos próprios participantes, incluindo alimentação e estilo de vida, podem influenciar os resultados e dificultam estabelecer uma relação direta de causa e efeito.

Por isso, novas pesquisas, especialmente estudos que acompanhem os participantes ao longo do tempo, são necessárias para compreender melhor essa possível relação.

Qual seria a relação da vitamina C com o cérebro?

Uma das hipóteses envolve a função antioxidante da vitamina C.

O cérebro possui intensa atividade metabólica e, durante diferentes processos celulares, ocorre a formação de radicais livres. Em excesso, essas moléculas podem contribuir para o estresse oxidativo, processo relacionado a danos celulares.

Antioxidantes presentes na alimentação participam dos mecanismos utilizados pelo organismo para neutralizar parte dessas moléculas.

A vitamina C também participa de processos relacionados à produção de neurotransmissores, substâncias responsáveis pela comunicação entre os neurônios, além de desempenhar outras funções importantes no organismo.

Vitamina C vai muito além da laranja

Embora frutas cítricas sejam frequentemente associadas ao nutriente, a vitamina C está presente em diferentes alimentos.

Acerola, caju, goiaba, morango, mamão, laranja e manga estão entre as frutas que podem contribuir para a ingestão do nutriente. Vegetais como pimentão, brócolis, couve e tomate também podem fazer parte das fontes alimentares.

Como a vitamina C é hidrossolúvel, o organismo não mantém grandes reservas do nutriente, tornando importante sua presença regular em uma alimentação equilibrada.

O consumo excessivo, especialmente por meio de suplementação sem necessidade, não significa necessariamente maior benefício e pode provocar efeitos indesejados.

Nutriente também participa de outras funções do organismo

Além de sua possível relação com o cérebro, a vitamina C possui funções já conhecidas no organismo.

Ela participa da formação do colágeno, proteína importante para diferentes tecidos, e também contribui para a absorção do ferro presente em alimentos de origem vegetal.

O nutriente ainda participa do funcionamento normal do sistema imunológico.

Esses efeitos, porém, não significam que consumir grandes quantidades de vitamina C aumente proporcionalmente a imunidade ou ofereça proteção isolada contra doenças.

Alimentação variada continua sendo o principal caminho

Os resultados acrescentam mais uma peça às pesquisas que investigam a relação entre alimentação e envelhecimento cerebral, mas ainda não permitem transformar a associação encontrada em uma recomendação terapêutica.

Em vez de concentrar a alimentação em apenas um nutriente, a estratégia mais adequada é manter uma dieta diversificada, com frutas, verduras, legumes, grãos e outras fontes de vitaminas, minerais e compostos antioxidantes.

A pesquisa, portanto, ajuda a ampliar a compreensão sobre a possível participação da vitamina C na saúde cerebral, mas não comprova que consumir mais vitamina C ou utilizar suplementos seja capaz de prevenir alterações cognitivas ou doenças neurológicas.

Nota da redação: Algumas das informações utilizadas nesta matéria foram obtidas a partir de conteúdo publicado pela Agência Einstein e reorganizadas e contextualizadas pela redação.

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