A eleição para o Governo do Amazonas entrou em uma nova fase. Com Omar Aziz (PSD) e Professora Maria do Carmo (PL) classificados para o segundo turno, marcado para 25 de outubro, as atenções agora se voltam para uma parcela decisiva do eleitorado: quem não escolheu nenhum dos dois no primeiro turno.
Com 99,93% das urnas apuradas, Omar chegou à primeira colocação com 840.610 votos, o equivalente a 40,60% dos votos válidos. Maria do Carmo avançou em segundo, com 507.262 votos, ou 24,50%.
A diferença entre os dois ficou em 333.348 votos, mas o novo turno começa com uma dinâmica diferente. Os votos destinados aos candidatos eliminados não são automaticamente transferidos, e Omar e Maria precisarão conquistar novamente o eleitorado.
Cidade e David entram no centro das articulações
Entre os candidatos que ficaram fora do segundo turno, Roberto Cidade (União Brasil) e David Almeida (Avante) concentram as maiores parcelas do eleitorado.
Por isso, os posicionamentos políticos dos dois e, principalmente, o comportamento de seus eleitores passam a ganhar importância na disputa.
Até esta segunda-feira (5), Cidade e David ainda não haviam anunciado oficialmente apoio a Omar ou Maria do Carmo.
Maria do Carmo já sinalizou que pretende buscar diálogo com os antigos adversários durante o segundo turno. Uma eventual declaração de apoio, no entanto, não significa transferência automática dos votos recebidos por um candidato no primeiro turno.
Eleitor passa a ser mais importante que apoio político
Embora alianças partidárias possam garantir estrutura de campanha, tempo político e participação de lideranças, o principal desafio será convencer diretamente quem votou em outras candidaturas.
O eleitor que escolheu Roberto Cidade, David Almeida ou os demais concorrentes terá três possibilidades no segundo turno: migrar para Omar, escolher Maria do Carmo ou votar branco ou nulo.
Por isso, as próximas semanas devem ser marcadas não apenas pela busca de apoios políticos, mas também por mudanças no discurso das duas campanhas para alcançar grupos que não aderiram às candidaturas no primeiro turno.
Omar precisa ampliar vantagem
Omar Aziz chega ao segundo turno com uma vantagem construída na primeira votação. A campanha, porém, precisará trabalhar para manter os eleitores conquistados e ampliar sua votação até alcançar mais da metade dos votos válidos.
A estratégia também passa pela aproximação com segmentos que escolheram outros candidatos, especialmente porque o segundo turno elimina a divisão dos votos entre várias opções.
Politicamente, Omar disputa pela coligação Força Amazonas, formada por Republicanos, MDB, PSD e Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV). A candidata a vice é Alessandra Campelo (PSD).
Maria do Carmo busca reduzir distância
Para Maria do Carmo, o segundo turno representa a oportunidade de reorganizar a disputa em um cenário com apenas duas candidaturas.
A candidata precisará ampliar significativamente a votação obtida no primeiro turno e conquistar eleitores que inicialmente escolheram outros nomes.
Maria disputa pela coligação Mudar é Urgente, formada por PL e Novo, tendo Coronel Aníbal (PL) como candidato a vice.
A campanha também ocorre paralelamente ao segundo turno presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), o que pode influenciar as estratégias políticas e alianças construídas no Amazonas nas próximas semanas.
Segundo turno começa praticamente como uma nova eleição
Apesar dos números do primeiro turno servirem como ponto de partida, eles não determinam o resultado da etapa seguinte.
No segundo turno, todos os votos válidos serão divididos apenas entre Omar Aziz e Maria do Carmo. Isso aumenta o peso dos eleitores que votaram em Cidade, David e nos demais candidatos, além daqueles que podem mudar de posição ou que não compareceram no primeiro turno.
Até 25 de outubro, as campanhas terão o desafio de mostrar propostas, buscar novas alianças e convencer uma parcela do eleitorado que, até agora, não escolheu nenhum dos dois.

