Os casos de sífilis continuam em alta em Manaus em 2026, com crescimento das notificações entre adultos, gestantes e também de sífilis congênita. Os dados reforçam o alerta para a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da infecção.
Neste ano, a capital registra média mensal de 361 notificações de sífilis adquirida em adultos, excluindo gestantes, número 12,1% superior à média de 322 registros por mês observada em 2025.
Os dados são do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, e são monitorados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).
Em meio ao aumento, as unidades de saúde municipais intensificam durante outubro as ações de orientação, testagem e prevenção dentro da campanha Outubro Verde.
Sífilis entre gestantes também aumenta
Outro dado que chama atenção é o avanço das notificações durante a gestação. A média mensal passou de 198 casos em 2025 para 208 em 2026, crescimento de 5,1%.
A preocupação é maior nesse grupo porque uma gestante com sífilis não tratada ou tratada inadequadamente pode transmitir a infecção para o bebê durante a gravidez ou no parto.
A chamada sífilis congênita também apresentou crescimento. Manaus registra média de 33 casos por mês em 2026, contra 24 no ano passado, uma alta de 37,5%.
Entre janeiro e 10 de setembro deste ano, foram contabilizados na capital 2.952 casos de sífilis adquirida, 1.693 registros entre gestantes e 267 casos de sífilis congênita.
Infecção pode permanecer silenciosa
A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum. Um dos desafios para interromper a transmissão é que a doença pode passar por períodos sem sinais ou sintomas perceptíveis.
Na fase inicial, uma das manifestações possíveis é o surgimento de uma ferida no local de entrada da bactéria, que pode aparecer em regiões como pênis, vagina, vulva, colo do útero ou ânus.
Sem diagnóstico e tratamento adequados, a infecção pode evoluir ao longo dos anos e, em fases mais avançadas, provocar comprometimentos neurológicos, cardiovasculares e ósseos.
Apesar dos riscos, a sífilis tem cura. A reinfecção, porém, é possível, tornando importante também a avaliação e, quando indicado, o tratamento das parcerias sexuais.
Testagem ganha reforço durante Outubro Verde
Durante o Outubro Verde, a rede municipal de saúde terá ações voltadas à prevenção e ao diagnóstico, tanto nas unidades quanto em atividades realizadas em escolas, empresas e entidades sociais.
A Semsa disponibiliza gratuitamente preservativos e testes rápidos para sífilis nas unidades de saúde da capital.
A orientação é que, diante de um resultado positivo, o tratamento seja iniciado e acompanhado adequadamente até sua conclusão.
Pré-natal é fundamental para proteger o bebê
O acompanhamento durante a gestação é uma das principais estratégias para prevenir a sífilis congênita.
O Ministério da Saúde recomenda a testagem para sífilis na primeira consulta do pré-natal, preferencialmente no primeiro trimestre, novamente no terceiro trimestre e no momento do parto ou em situações de aborto.
Em Manaus, a estratégia foi ampliada em 2026 para incluir também uma testagem durante o segundo trimestre, aumentando as oportunidades de identificar e tratar a infecção antes que ela seja transmitida ao bebê.
A sífilis congênita pode estar associada a complicações graves, incluindo aborto espontâneo, parto prematuro, alterações ósseas, problemas de visão e audição, malformações e morte ao nascer.
Mobilização acontece em outubro
O Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita é celebrado no terceiro sábado de outubro, que neste ano será em 17 de outubro.
Como parte da programação local, a abertura oficial da campanha Outubro Verde está prevista para 14 de outubro, às 9h, na Unidade de Saúde da Família (USF) Dr. José Rayol dos Santos.

