Rede MLC
News

Manaus volta a liderar ranking de pior qualidade do ar do Brasil nesta sexta-feira (16)

Fumaça das queimadas encobre a capital amazonense, eleva índices de poluição e provoca suspensão de aulas na rede municipal e na UEA
Publicidade

Manaus amanheceu novamente encoberta por uma densa camada de fumaça nesta sexta-feira (16). Após uma breve melhora registrada no dia anterior, a capital amazonense voltou a apresentar a pior qualidade do ar entre as capitais brasileiras, segundo o monitoramento da plataforma internacional IQAir.

Por volta das 6h, o índice de qualidade do ar atingiu 167 pontos, classificação considerada insalubre. O agravamento da poluição levou à suspensão das aulas presenciais na rede municipal de ensino e na Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

A fumaça está associada ao avanço das queimadas no interior do Amazonas e em estados vizinhos, agravado pelas condições climáticas do período de estiagem.

Publicidade

Qualidade do ar chega ao nível péssimo em bairros de Manaus

Além dos dados da IQAir, o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela UEA, também registrou concentrações elevadas de partículas poluentes na atmosfera.

Na maior parte da cidade, a qualidade do ar foi classificada como muito ruim, enquanto três bairros atingiram a categoria péssima nas primeiras horas da manhã.

Entre os pontos monitorados, o bairro Aleixo, na Zona Centro-Sul, apresentou a situação mais crítica, com concentração de 139,6 microgramas de partículas por metro cúbico (µg/m³).

Já o Morro do Tarumã, na Zona Oeste, registrou 39 µg/m³, índice considerado moderado pelo sistema.

Pela classificação do Selva, a qualidade do ar é considerada boa quando a concentração de partículas está entre 0 e 25 µg/m³.

Os indicadores da IQAir e do Selva utilizam escalas diferentes e, por isso, seus valores não devem ser comparados diretamente.

Prefeitura de Manaus suspende aulas presenciais

Diante da piora das condições atmosféricas, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) determinou a suspensão das atividades presenciais nas escolas da rede municipal nesta sexta-feira.

A decisão foi tomada de forma preventiva, com base no acompanhamento realizado pela Defesa Civil Municipal.

O objetivo é reduzir a exposição de estudantes, professores e demais profissionais da educação aos poluentes presentes na fumaça.

A medida considera os possíveis impactos da poluição sobre a saúde, especialmente entre crianças e pessoas com problemas respiratórios.

UEA também suspende atividades acadêmicas

A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) anunciou a suspensão das aulas e demais atividades acadêmicas presenciais em todas as suas unidades da capital e do interior, durante os três turnos desta sexta-feira.

As atividades administrativas passaram a funcionar remotamente, com exceção da Reitoria.

O Comitê de Mudanças Climáticas da universidade permanece acompanhando os indicadores ambientais para avaliar a evolução do cenário.

Por que a fumaça continua chegando a Manaus?

A presença de fumaça na capital não depende exclusivamente da existência de incêndios próximos à cidade.

Partículas produzidas pelas queimadas podem permanecer suspensas na atmosfera durante vários dias e ser transportadas pelo vento por longas distâncias.

Segundo o meteorologista Leonardo Vergasta, as características dessas partículas favorecem seu deslocamento entre diferentes regiões.

Durante o período de estiagem, a circulação dos ventos e a baixa frequência de chuvas contribuem para a permanência dos poluentes no ar.

Além das queimadas registradas no interior do Amazonas, incêndios em Rondônia, Pará e no norte de Mato Grosso também estão associados à fumaça que alcança Manaus.

Amazonas registra aumento superior a 270% nas queimadas

O agravamento da poluição ocorre em meio ao crescimento expressivo dos focos de incêndio no estado.

Dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) mostram que aproximadamente 1,6 mil focos de calor foram registrados no Amazonas entre os dias 1º e 14 de outubro.

No mesmo período de 2025, foram contabilizados 473 registros.

O resultado representa um aumento superior a 270%, segundo os dados do Painel do Fogo.

O crescimento dos focos amplia a preocupação com os impactos ambientais e os riscos à saúde da população durante a estação seca.

Ibama fiscaliza propriedades e intensifica combate aos incêndios

Em resposta ao avanço das queimadas, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ampliou as ações de fiscalização e combate ao fogo no Amazonas.

O órgão informou que 725 propriedades rurais foram notificadas sobre o risco de propagação de incêndios e a necessidade de adoção de medidas preventivas.

Equipes realizam inspeções para verificar o cumprimento das determinações, e parte dos responsáveis já recebeu autuações.

As operações estão concentradas em municípios considerados críticos, como Autazes, Careiro da Várzea, Parintins e Itacoatiara.

Segundo balanço divulgado na terça-feira (13), o Ibama havia combatido e extinguido 292 incêndios entre junho e outubro, enquanto outros oito focos permaneciam ativos naquela data.

Para reforçar as operações, foram mobilizadas 11 aeronaves, incluindo aviões de combate ao fogo, helicópteros e equipamentos de apoio logístico.

Fumaça exige cuidados com a saúde

A exposição à fumaça das queimadas pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de tosse, falta de ar e agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos que exigem atenção especial.

Durante períodos de poluição intensa, as principais recomendações são:

  • Evitar atividades físicas ao ar livre, principalmente nos horários de maior concentração de fumaça.
  • Reduzir a exposição ao ar externo, sempre que possível.
  • Manter a hidratação ao longo do dia.
  • Utilizar máscaras PFF2 ou N95 quando for necessário permanecer em ambientes externos com muita fumaça.
  • Procurar atendimento médico em caso de falta de ar, dor no peito ou piora de sintomas respiratórios.

A situação reforça a necessidade de acompanhamento dos boletins ambientais e das orientações divulgadas pelos órgãos de saúde e Defesa Civil.

Leia mais

Fumaça diminui em Manaus e qualidade do ar apresenta melhora após uma semana crítica

Brenda Gomes

Papa Leão XIV passa por cirurgia contra câncer de pulmão; irmão também enfrenta a doença

Brenda Gomes

Queimadas no Amazonas são mais graves do que o previsto, afirma ministro após sobrevoo

Brenda Gomes

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Entendemos que você está de acordo com isso, mas você pode cancelar, se desejar. Aceito Leia Mais