Uma alimentação rica em antioxidantes pode contribuir para a redução da acne e melhorar a qualidade de vida de pessoas que convivem com a condição. É o que aponta um estudo realizado por pesquisadores da Polônia e publicado no periódico científico Nutrients.
A pesquisa identificou que mulheres com maior consumo de alimentos ricos em antioxidantes apresentaram melhores resultados na avaliação da acne e relataram benefícios relacionados à autoestima e ao bem-estar emocional.
Entre os alimentos analisados estão frutas, verduras, legumes, vegetais verde-escuros, oleaginosas e azeite de oliva, fontes de compostos associados à proteção das células contra o estresse oxidativo.
Estudo acompanhou 165 mulheres com acne
A pesquisa reuniu 165 mulheres, com idades entre 18 e 35 anos, que apresentavam lesões e cicatrizes provocadas pela acne.
Mais da metade das participantes convivia com a condição havia pelo menos dois anos. Algumas relataram sintomas por mais de cinco anos, enquanto 9% apresentavam acne grave.
Para avaliar a relação entre alimentação e saúde da pele, as voluntárias registraram os alimentos e bebidas consumidos durante três dias selecionados pelos pesquisadores.
A partir dessas informações, foram analisadas as quantidades de antioxidantes presentes na dieta, incluindo vitaminas A, C e E, betacaroteno e minerais como selênio, ferro, zinco, cobre e manganês.
Os pesquisadores também acompanharam a gravidade da acne e aplicaram questionários sobre qualidade de vida.
Como os antioxidantes podem ajudar a pele?
Os resultados mostraram que as participantes com dietas mais ricas em antioxidantes apresentaram melhores indicadores relacionados à acne.
Esses compostos ajudam a combater o estresse oxidativo, processo associado a danos celulares e à inflamação.
Como a acne é uma condição inflamatória, os pesquisadores investigaram se uma alimentação com maior presença dessas substâncias poderia estar relacionada à melhora dos sintomas.
A dermatologista Barbara Miguel, do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que o combate ao estresse oxidativo e à inflamação pode contribuir para a saúde da pele.
Entretanto, é importante destacar que o estudo identificou uma associação entre alimentação e melhora da acne, mas não comprova que os antioxidantes, isoladamente, sejam responsáveis pelos resultados.
Quais alimentos podem contribuir para a saúde da pele?
Uma alimentação variada, com predominância de alimentos naturais e minimamente processados, pode favorecer o consumo de vitaminas, minerais e compostos antioxidantes.
Entre as opções estão:
- Frutas: fontes de vitaminas e substâncias antioxidantes.
- Verduras e legumes: contribuem para a ingestão de nutrientes importantes para a saúde da pele.
- Vegetais verde-escuros: oferecem vitaminas e minerais.
- Oleaginosas: como castanhas e nozes, que fornecem gorduras e micronutrientes.
- Azeite de oliva: fonte de gorduras e compostos antioxidantes.
- Grão-de-bico: alimento que contribui para o consumo de proteínas e minerais, incluindo zinco.
A recomendação é priorizar uma alimentação equilibrada, sem depender de um único alimento para controlar a acne.
Açúcar e ultraprocessados também merecem atenção
Além de destacar os antioxidantes, especialistas chamam a atenção para o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares e gorduras saturadas.
Dietas com elevada carga glicêmica podem influenciar processos hormonais relacionados à produção de sebo, substância produzida naturalmente pelas glândulas da pele.
O aumento da produção de sebo pode contribuir para a obstrução dos poros e o desenvolvimento de lesões de acne.
A dermatologista Paola Pomerantzeff, integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), destaca que alimentos de alto índice glicêmico podem agravar o quadro em pessoas predispostas.
Outro ponto discutido é o consumo de laticínios, especialmente o whey protein, suplemento produzido a partir de proteínas do leite.
Em algumas pessoas, esses produtos podem estar associados ao agravamento da acne. No entanto, isso não significa que todos precisem excluir leite, derivados ou suplementos da alimentação.
A avaliação deve considerar as características individuais e a orientação de profissionais de saúde.
Acne também pode afetar a saúde emocional
A pesquisa analisou não apenas a aparência da pele, mas também o impacto psicológico da acne.
A condição pode provocar desconforto emocional, insegurança e dificuldades relacionadas à autoestima, especialmente quando as lesões aparecem em áreas visíveis, como rosto, tórax, ombros e costas.
Segundo os resultados apresentados, as participantes que consumiam mais antioxidantes relataram melhora de 32% na qualidade de vida e redução de 33% no risco de depressão, conforme os indicadores utilizados no estudo.
Esses números representam associações observadas na pesquisa e não demonstram que a alimentação, por si só, previna ou trate a depressão.
Os pesquisadores destacam a importância de considerar tanto os sintomas físicos quanto os efeitos emocionais da acne.
Alimentação saudável substitui o tratamento dermatológico?
Não. A alimentação pode contribuir para a saúde da pele, mas não substitui o acompanhamento dermatológico.
A acne possui diferentes causas, incluindo fatores hormonais, genéticos, inflamatórios e alterações na produção de sebo.
Dependendo da gravidade, o tratamento pode envolver produtos tópicos, medicamentos e outras intervenções indicadas por um dermatologista.
O estudo reforça a importância de uma abordagem que considere hábitos alimentares, cuidados com a pele e saúde emocional.
Embora os resultados sejam promissores, novas pesquisas são necessárias para esclarecer até que ponto mudanças específicas na alimentação podem influenciar diretamente a evolução da acne.

