A divulgação de uma carta pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), na quarta-feira (28), provocou uma crise política dentro da própria direita brasileira. Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, o parlamentar contestou o resultado das urnas e chegou a se declarar o verdadeiro presidente eleito do país.
O documento foi divulgado após Flávio deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos. Na carta, o senador afirma ter sido vítima de uma fraude eleitoral, mas não apresenta provas que sustentem a acusação.
A manifestação provocou críticas e distanciamento de lideranças políticas que apoiaram sua candidatura, ampliando as dificuldades para que Flávio assuma o comando da oposição ao novo mandato de Lula.
O que Flávio Bolsonaro escreveu na carta?
Na primeira versão divulgada por aliados, o senador afirmou:
“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
Em outro trecho, Flávio declarou que pretende continuar sua atuação política a partir dos Estados Unidos:
“Liderarei a oposição daqui.”
O parlamentar também agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo apoio recebido após sua saída do Brasil.
A carta passou por alterações após a repercussão. Em uma versão publicada nas redes sociais, Flávio substituiu referências a si próprio como presidente pela expressão “líder do Brasil”.
Brasão com “Brazil” vira alvo de polêmica
Outro detalhe que chamou a atenção foi o brasão utilizado na primeira versão do documento, que trazia a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, com a palavra Brasil escrita com a letra Z.
A imagem reproduzia uma denominação histórica do país, utilizada após a Proclamação da República, em 1889, mas não corresponde ao brasão oficial atual, que utiliza a inscrição “República Federativa do Brasil”.
Após a circulação do primeiro arquivo, aliados divulgaram uma nova versão com o símbolo atualizado. Segundo levantamento da Folha de S.Paulo, ao menos quatro versões do documento circularam, incluindo alterações no texto e no brasão.
Aliados defendem respeito ao resultado das urnas
A reação à carta não ficou restrita aos adversários políticos. Lideranças da própria direita se distanciaram das declarações do senador.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu o reconhecimento do resultado eleitoral e a continuidade da atuação política dentro das instituições.
Já Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio, afirmou não possuir provas de fraude e defendeu que o partido se prepare para exercer oposição ao governo Lula.
Partidos como União Brasil, PSD, PSDB e MDB também manifestaram rejeição à tentativa de deslegitimar o resultado eleitoral, segundo informações divulgadas pelo g1.
TSE reafirma legitimidade das eleições
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido pelo ministro Nunes Marques, reafirmou a regularidade do processo eleitoral e a validade do resultado que confirmou a vitória de Lula.
A repercussão da carta também gerou preocupação dentro do PL. O presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, deve discutir os efeitos políticos do episódio com o ex-presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (29).
Nos bastidores, a avaliação de aliados é que a postura de Flávio pode enfraquecer sua capacidade de liderar a oposição e abrir espaço para outras figuras do campo conservador, como Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro.
Apesar das alegações apresentadas na carta, não há comprovação de fraude que invalide o resultado das eleições presidenciais de 2026.

