O mercado financeiro brasileiro voltou a registrar oscilações nesta terça-feira (27), após as fortes perdas observadas no primeiro pregão depois das eleições presidenciais. Por volta das 11h30, o Ibovespa recuava 0,25%, aos 176.165 pontos, enquanto o dólar apresentava queda de 1,52%, negociado a R$ 5,3205.
Na segunda-feira (26), a moeda americana havia disparado 8,21%, encerrando o dia a R$ 5,4027, na maior valorização diária desde 1999. A Bolsa brasileira, por sua vez, sofreu uma queda de 13,88%, seu pior desempenho desde março de 2020, durante a pandemia de Covid-19.
Resultado das eleições mantém investidores atentos
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 51,78% dos votos válidos, diante dos 48,22% obtidos por Flávio Bolsonaro (PL), provocou uma reavaliação das expectativas de parte do mercado financeiro.
Entre as principais preocupações estão o controle das despesas públicas, a trajetória da dívida e os rumos da política fiscal durante o próximo mandato.
“O principal foco dos investidores será a condução da política fiscal no quarto mandato de Lula”, afirmou Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, ao destacar a importância do equilíbrio das contas públicas.
Especialistas também avaliam que novas medidas econômicas poderão influenciar a confiança dos investidores nos próximos meses.
Decisão do Fed também influencia o mercado
No cenário internacional, as atenções estão voltadas para o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, que anunciará uma nova decisão sobre os juros nesta quarta-feira (28).
A expectativa predominante entre os investidores é de manutenção das taxas. O mercado também acompanha possíveis declarações do presidente da instituição, Kevin Warsh, sobre os próximos passos da política monetária americana.
Outro fator de atenção é o preço do petróleo, que permanece elevado diante das tensões no Oriente Médio. Pela manhã, o barril do Brent era negociado a US$ 114,88, enquanto o petróleo WTI estava cotado a US$ 101,05.
Incertezas políticas e cenário internacional
Além das questões econômicas, investidores acompanham possíveis desdobramentos jurídicos relacionados ao resultado das eleições brasileiras.
No exterior, as eleições em Israel e o desempenho das bolsas asiáticas também influenciam o cenário financeiro.
Na China, os principais índices encerraram o pregão em queda de 1,3%. Em contrapartida, o Nikkei, do Japão, avançou 1,73%, e o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 3,09%.
O comportamento dos mercados nos próximos dias dependerá, entre outros fatores, dos sinais apresentados pelo governo brasileiro sobre a política fiscal e das decisões de política monetária nos Estados Unidos.

