A suspensão de novas recargas do Passe Livre Estudantil em Manaus provocou um novo embate entre o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) e o Governo do Estado. Nesta terça-feira (3), as duas partes apresentaram versões diferentes sobre os pagamentos destinados à gratuidade dos estudantes da rede estadual.
Enquanto o sindicato afirma que a falta de repasses compromete o funcionamento das empresas de ônibus, o governo sustenta que todos os pagamentos previstos para 2026 estão em dia e contesta uma cobrança de aproximadamente R$ 250 milhões referente a 2025.
A interrupção foi anunciada na noite de segunda-feira (2), por meio de uma notificação enviada aos usuários do aplicativo Cadê Meu Ônibus.
Sindicato alerta para dificuldades financeiras
O presidente do Sinetram, César Tadeu Teixeira, afirmou que a situação financeira das concessionárias está comprometida e que a ausência dos valores cobrados pode prejudicar o funcionamento do transporte coletivo.
Segundo ele, as empresas enfrentam dificuldades para cumprir compromissos como o pagamento de salários e do 13º dos trabalhadores.
“O sistema está numa situação financeira muito crítica, porque sem esses valores vai se deteriorando”, declarou.
A entidade também comunicou formalmente o problema à Prefeitura de Manaus, responsável pela gestão do transporte coletivo da capital, solicitando providências.
Governo afirma ter pago mais de R$ 27 milhões
Em resposta à suspensão, o governador Roberto Cidade declarou que mais de R$ 27 milhões foram transferidos ao Sinetram ao longo de 2026.
Segundo o chefe do Executivo estadual, a parcela mais recente, de R$ 3 milhões, foi paga em 23 de outubro.
O governador afirmou que os repasses mensais estão sendo realizados regularmente e que a divergência envolve valores cobrados pelas empresas referentes ao ano anterior.
Cidade também criticou a interrupção das recargas, alegando que a medida prejudica estudantes que dependem dos ônibus para frequentar as aulas. Ele informou que pretende adotar medidas judiciais contra a conduta do sindicato.
Entenda a disputa de R$ 250 milhões
O principal ponto de divergência está na cobrança relacionada ao transporte de estudantes durante o primeiro semestre de 2025.
O Sinetram defende que as empresas sejam ressarcidas pelos serviços prestados e afirma não ter condições de continuar assumindo os custos sem os pagamentos reivindicados.
Por outro lado, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) questiona a cobrança de aproximadamente R$ 250 milhões, alegando falta de comprovação dos valores apresentados.
A discussão envolve também o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e está sendo analisada pela Justiça.
Em 26 de outubro, representantes das partes participaram de uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), mas não houve acordo.
O que muda para os estudantes?
A suspensão anunciada pelo Sinetram atinge a disponibilização de novos créditos do Passe Livre Estudantil para alunos da rede estadual.
Os estudantes que ainda possuem saldo nos cartões podem continuar utilizando as passagens normalmente. Entretanto, aqueles que precisam renovar os créditos mensais ficam sem novas recargas enquanto a medida estiver em vigor.
O benefício é calculado conforme a quantidade de dias letivos e exige solicitação de renovação a cada mês.
A situação preocupa famílias que dependem da gratuidade para garantir o deslocamento dos alunos até as escolas, especialmente neste período de encerramento do ano letivo.
Até a atualização das informações nesta terça-feira (3), não havia previsão para a retomada das recargas.
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