O endividamento das famílias brasileiras atingiu 50,1% da renda anual em agosto de 2026, o maior percentual já registrado na série histórica do Banco Central (BC). Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29) e apontam um aumento de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior.
O indicador considera o total de dívidas das famílias com instituições financeiras, incluindo empréstimos pessoais, crédito consignado, cartão de crédito e financiamentos imobiliários.
Na prática, isso significa que o valor acumulado das dívidas equivale a pouco mais da metade de toda a renda recebida pelas famílias ao longo de um ano. Sem considerar os financiamentos imobiliários, o percentual cai para 31%.
Inadimplência também bate recorde
Além do aumento do endividamento, o Banco Central identificou uma piora nos indicadores de pagamento.
Em agosto, a inadimplência das pessoas físicas chegou a 8,1%, considerando os pagamentos com atraso superior a 90 dias, conforme os dados apresentados.
Outro indicador preocupante é o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas, que passou de 28,8% para 29%, o maior nível desde o início da série histórica, em março de 2011.
Diferentemente do endividamento total, esse percentual representa a parcela da renda mensal destinada ao pagamento de prestações e outros compromissos financeiros.
Juros elevados pressionam orçamento
O endividamento das famílias havia apresentado redução em 2023, chegando a 47,7% da renda anual em dezembro daquele ano.
Entretanto, a tendência de queda foi interrompida nos períodos seguintes, em meio ao aumento das taxas de juros e ao encarecimento do crédito.
O ciclo de elevação da taxa Selic, iniciado em setembro de 2024, contribuiu para tornar empréstimos e financiamentos mais caros. Após atingir 15% ao ano, a taxa básica de juros está em 13,75%, conforme os dados apresentados.
Com juros elevados e maior comprometimento da renda, as famílias enfrentam dificuldades adicionais para equilibrar o orçamento e manter os pagamentos em dia.
Os indicadores reforçam o cenário de pressão financeira sobre os consumidores brasileiros, especialmente aqueles que dependem de crédito para cobrir despesas ou reorganizar dívidas.

