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Saúde

Anvisa aprova novo medicamento para câncer de mama avançado no Brasil

Etcamah é indicado para pacientes com mutação ESR1 e permite mudança no tratamento antes que a progressão da doença seja identificada em exames de imagem
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Uma nova opção de tratamento para um grupo específico de pacientes com câncer de mama avançado ou metastático foi aprovada no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta segunda-feira (21) o registro do Etcamah (camizestranto), medicamento oral voltado a tumores com determinadas características moleculares. Serviços e Informações do Brasil

O diferencial da nova estratégia está no momento em que o tratamento pode ser modificado. A indicação contempla pacientes que desenvolveram a mutação ESR1, mas que ainda não apresentam sinais de progressão da doença em exames de imagem ou clinicamente. Serviços e Informações do Brasil

Isso permite identificar alterações relacionadas à resistência ao tratamento e realizar a mudança terapêutica antes que o avanço do câncer se torne visível nos exames.

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Quem pode receber o Etcamah?

A aprovação não contempla todos os casos de câncer de mama.

Segundo a Anvisa, o medicamento é indicado para adultos com câncer de mama localmente avançado ou metastático, positivo para receptor de estrogênio (ER+) e HER2 negativo (HER2-), nos quais seja identificada uma mutação no gene ESR1. Serviços e Informações do Brasil

A mutação deve ter surgido durante o tratamento de primeira linha com terapia endócrina associada a um inibidor de CDK4/6, utilizado por pelo menos seis meses.

Além disso, no momento da identificação da mutação, o paciente não deve apresentar progressão radiológica ou clínica da doença. Serviços e Informações do Brasil

Estudo mostrou redução de 56% no risco de progressão ou morte

A estratégia foi avaliada no estudo clínico internacional de fase 3 SERENA-6, publicado no New England Journal of Medicine.

Mais de 3,2 mil pacientes foram inicialmente testados para identificar a mutação ESR1. Entre eles, 315 preencheram os critérios e participaram da comparação principal. New England Journal of Medicine

Os pacientes foram divididos entre aqueles que passaram a receber camizestranto mantendo o inibidor de CDK4/6 e aqueles que continuaram utilizando um inibidor de aromatase associado ao mesmo tipo de medicamento.

A mediana de sobrevida livre de progressão foi de 16 meses no grupo tratado com camizestranto, contra 9,2 meses no grupo que permaneceu com o inibidor de aromatase. New England Journal of Medicine

O resultado correspondeu a uma redução relativa de 56% no risco de progressão da doença ou morte durante o período analisado. Isso não significa que 56% dos pacientes foram curados ou deixaram de apresentar progressão. New England Journal of Medicine

Como o novo medicamento funciona?

O camizestranto pertence à classe dos degradadores seletivos do receptor de estrogênio (SERDs).

O medicamento atua bloqueando o receptor de estrogênio presente nas células tumorais e promovendo sua degradação. Dessa maneira, busca reduzir os estímulos que favorecem o crescimento de tumores dependentes desse hormônio. Serviços e Informações do Brasil

A mutação ESR1 é relevante porque pode surgir durante a terapia hormonal e favorecer resistência ao tratamento.

A nova estratégia permite acompanhar essa alteração molecular e modificar o tratamento quando a mutação é detectada, sem necessariamente esperar que o crescimento do tumor seja identificado posteriormente nos exames.

Aprovação não significa indicação para todas as pacientes

Apesar dos resultados positivos, o Etcamah possui uma indicação específica e seu uso depende das características do tumor, do tratamento que o paciente já recebeu e da identificação da mutação ESR1.

A aprovação também não significa que o medicamento substitua as demais terapias utilizadas contra o câncer de mama.

A definição do tratamento depende da avaliação individual feita pela equipe médica, considerando o subtipo da doença, características moleculares, terapias anteriores e condição clínica do paciente.

Segundo a Anvisa, o câncer de mama permanece como a neoplasia maligna mais incidente entre mulheres no Brasil. Dados citados pela agência apontam 73.610 casos no período de 2023 a 2025, correspondendo a 30,1% dos cânceres registrados em mulheres.

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