A prisão dos cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de influenciadores digitais, é resultado de uma investigação da Polícia Federal que teve início a partir de dados armazenados no iCloud de um contador ligado ao grupo.
Segundo a PF, o material analisado pertence a Rodrigo de Paula Morgado, apontado como operador financeiro do esquema. As informações foram obtidas em 2025 durante operações anteriores, como a Narco Bet e a Narco Vela.
iCloud foi peça-chave na investigação
Os arquivos armazenados na nuvem funcionaram como um verdadeiro “mapa” da organização criminosa.
A partir deles, os investigadores conseguiram acessar e cruzar extratos bancários, contratos, conversas, documentos financeiros e registros empresariais, revelando uma estrutura complexa de lavagem de dinheiro.
De acordo com a PF, o grupo movimentava mais de R$ 1,6 bilhão, utilizando práticas como:
- Bets ilegais e rifas clandestinas
- Empresas de fachada e “laranjas”
- Criptomoedas e remessas internacionais
- Tráfico internacional de drogas
Megaoperação prendeu dezenas de suspeitos
A ação da Polícia Federal cumpriu 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal.
Entre os presos estão:
- MC Ryan SP
- MC Poze do Rodo
- Influenciadores como Raphael Sousa Oliveira (Choquei) e Chrys Dias
Papel de MC Ryan SP no esquema
Segundo a investigação, MC Ryan SP seria o líder e principal beneficiário financeiro da organização.
A PF aponta que ele utilizava empresas do ramo musical e de entretenimento para misturar dinheiro lícito com recursos ilegais, além de adotar estratégias de blindagem patrimonial, como:
- Transferência de bens para terceiros
- Uso de operadores financeiros
- Reinvestimento em imóveis, carros de luxo e joias
Papel de MC Poze do Rodo
Já MC Poze do Rodo aparece ligado a empresas e estruturas financeiras utilizadas para movimentar recursos de rifas digitais e apostas ilegais.
Segundo a PF, ele integrava o sistema de circulação de dinheiro da organização e pode responder por crimes como:
- Lavagem de dinheiro
- Associação criminosa
- Evasão de divisas
Como funcionava o esquema
A investigação descreve uma operação altamente estruturada, com funções bem definidas.
O dinheiro ilícito era:
- Fragmentado em várias contas para dificultar o rastreamento
- Transferido por meio de operadores financeiros
- Convertido em criptomoedas ou enviado ao exterior
- Reintroduzido na economia como recursos “legais”
A organização utilizava técnicas como “smurfing” (transferências fracionadas), empresas de fachada e contas de passagem.
Influenciadores ajudavam a impulsionar o esquema
De acordo com a PF, influenciadores digitais tinham papel estratégico ao:
- Divulgar apostas e rifas ilegais
- Promover a imagem dos envolvidos
- Atuar na gestão de crises reputacionais
Alguns deles também são investigados por intermediação financeira e recebimento de valores ilícitos.
Bens de alto valor foram apreendidos
Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu:
- Carros de luxo e joias
- Dinheiro em espécie
- Armas e eletrônicos
Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 1,63 bilhão em bens e valores, incluindo criptomoedas em corretoras.
Defesas se manifestam
A defesa de MC Ryan SP afirmou que ainda não teve acesso ao processo, mas declarou que todas as movimentações financeiras são lícitas.
Já a defesa de MC Poze do Rodo disse desconhecer o teor da acusação e informou que irá se posicionar após acesso aos autos.


