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Festival de Parintins 2025 começa com noite de grandes espetáculos, identidade e resistência cultural na amazônia

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Com alegorias monumentais, mensagens ancestrais e apresentações tecnicamente impecáveis, Garantido e Caprichoso emocionam o público na primeira noite do 58º Festival Folclórico de Parintins

O coração da Amazônia voltou a pulsar no ritmo dos tambores, toadas e lendas que fazem do Festival Folclórico de Parintins um dos maiores espetáculos culturais do país. A primeira noite do 58º Festival, realizada nesta sexta-feira (27), reuniu mais de 35 mil pessoas no Bumbódromo e foi marcada por uma abertura emocionante do Boi Garantido e um encerramento imponente do Boi Caprichoso.

A ordem de apresentação foi definida por sorteio: Garantido abriu a noite com o tema “Boi do Povo, Boi do Povão”, enquanto o Caprichoso encerrou com o enredo “É Tempo de Retomada”. Ambos apresentaram performances grandiosas, explorando temas como ancestralidade, luta dos povos indígenas, cultura afro-amazônica, proteção da floresta e orgulho caboclo.

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Garantido: resistência popular e raízes ancestrais

O Boi Garantido foi o responsável por abrir oficialmente o Festival de Parintins 2025 com o tema “Boi do Povo, Boi do Povão”. Em uma apresentação marcada por identidade, fé e pertencimento, o boi vermelho exaltou a negritude amazônica, a cultura da periferia de Parintins e a força das tradições do povo da floresta.

Entre os destaques da noite estiveram a Cunhã-Poranga Isabelle Nogueira, que brilhou com uma performance vibrante e conectada ao enredo; o Pajé Adriano Paketá, que trouxe à arena um ritual de proteção ancestral com forte apelo espiritual; e a Sinhazinha Valentina Coimbra, que encantou o público com leveza e técnica. A Porta-Estandarte Jeveny Mendonça também foi um dos pontos altos, com uma exibição firme e elegante.

A apresentação teve momentos impactantes como a Lenda Amazônica “Tapira’yawara”, que trouxe à arena a figura encantada da anta guerreira como símbolo de defesa da floresta. O item de Figura Típica Regional também emocionou ao homenagear o povo negro da Amazônia e reforçar o papel da resistência afro na história do boi.

Com toadas intensas e coreografias bem conduzidas, o Garantido entregou uma apresentação fiel às suas origens, reforçando sua imagem de boi do povo e da luta coletiva.

Caprichoso: a retomada da memória indígena

Na segunda metade da noite, o Boi Caprichoso entrou com seu tradicional azul e preto, misturando tecnologia de ponta e tradição oral em um espetáculo coreografado com precisão. O tema “É Tempo de Retomada” levou ao centro da arena a narrativa da reconexão com as origens e a luta indígena por território, memória e existência.

Logo no início, uma gigantesca alegoria trouxe a cunhã-poranga Marciele Albuquerque em uma encenação de gavião-real, que encantou pela performance aérea e simbologia. O pajé Erik Beltrão protagonizou um ritual forte e místico, com danças que lembravam o resgate das tradições espirituais dos povos originários.

Entre os momentos mais aclamados, esteve a encenação da luta pela demarcação da Terra Indígena Tupinambá, apresentada com mensagens contundentes em faixas, música e coreografia. A onça voadora mecanizada e a figura mítica Yurupari também receberam aplausos de pé pela inovação técnica e impacto visual.

Estrutura, público e avaliação

Cada boi teve 2h30 para apresentar seus 21 itens, que vão desde as alegorias até a performance da Marujada e Batucada, passando por evolução, toadas, personagens típicos e aspectos cênicos. A estrutura do Bumbódromo suportou uma noite intensa, com público vibrante e segurança reforçada.

Mais de 26 mil pessoas participaram das arquibancadas e torcidas organizadas, sem registros relevantes de incidentes. A apuração do festival será realizada na segunda-feira (30), às 15h, com expectativa alta entre torcedores dos dois bois.

Um espetáculo além da rivalidade

Mais do que uma disputa entre dois bois, a primeira noite do Festival de Parintins 2025 reafirmou o evento como um grito da Amazônia para o mundo. Enquanto Garantido reforçou seu papel como boi do povo, da fé e da resistência negra e indígena, Caprichoso mostrou domínio técnico e um discurso centrado na retomada dos valores ancestrais.

Ambos encantaram por diferentes caminhos, e a disputa pela nota máxima promete ser acirrada nas próximas duas noites.

O festival segue neste sábado (28) e domingo (29), com apresentações alternadas. No final, só um boi levará o título, mas quem ganha mesmo é a cultura brasileira.

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