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Astrônomos registram pela 1ª vez planeta recém-nascido moldando poeira no espaço

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Imagem inédita mostra objeto esculpindo braços espirais ao redor de estrela jovem, o que pode revelar como nascem sistemas planetários como o nosso

Astrônomos conseguiram registrar um momento raro e importante no universo: o nascimento de um planeta que já começa a moldar o disco de poeira e gás ao redor de sua estrela.

A descoberta foi feita com o telescópio Very Large Telescope (VLT), no deserto do Atacama, no Chile, e publicada nesta segunda-feira (21) na revista científica Astronomy & Astrophysics.

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O planeta está se formando ao redor da estrela HD 135344B, localizada a cerca de 440 anos-luz da Terra, na constelação de Escorpião. A estrela já era conhecida por seu disco protoplanetário com estruturas espirais, que indicam atividade de formação planetária. Agora, um ponto brilhante foi detectado justamente na base de uma dessas espirais, sinal claro da presença de um planeta em nascimento.

Registros como esse são extremamente raros. O processo de formação de planetas é rápido (em escala cósmica) e difícil de observar com clareza. Ver um planeta interferindo diretamente no ambiente onde está nascendo é uma chance única de entender como sistemas como o nosso surgem.

Segundo os pesquisadores, o novo planeta tem massa estimada em cerca de duas vezes a de Júpiter e orbita sua estrela a uma distância parecida com a de Netuno em relação ao Sol. Ele já está “esculpindo” e reorganizando a poeira ao seu redor, comportamento típico de planetas recém-nascidos.

O nascimento da Terra jamais poderá ser observado, mas aqui estamos, talvez, assistindo à formação de um novo mundo em tempo real.”

Disse Francesco Maio, pesquisador da Universidade de Florença e autor principal do estudo.

As imagens foram feitas com o instrumento ERIS, acoplado ao VLT. O brilho detectado não vem da estrela, mas da luz emitida pelo próprio planeta ou pelo material quente ao seu redor, uma evidência de que ele ainda está em crescimento.

Outro sistema promissor

Além do HD 135344B, os cientistas também observaram a jovem estrela V960 Mon, a mais de 5 mil anos-luz da Terra. Lá, encontraram outro possível planeta (ou até uma anã marrom) se formando no disco de poeira e gás, em uma região marcada por instabilidades gravitacionais.

Imagem mostra um possível objeto em formação ao redor da jovem estrela V960 Mon, localizada a mais de 5 mil anos-luz da Terra. A estrutura foi observada pelo telescópio VLT (em laranja) e combinada com dados anteriores dos instrumentos SPHERE (em amarelo) e ALMA (em azul).
— Foto: ESO/A. Dasgupta/ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/Weber et al.

Esse segundo objeto pode ter se formado de uma maneira diferente: não por acúmulo gradual de material, mas sim por um colapso repentino de parte do disco, um fenômeno conhecido como instabilidade gravitacional, que ainda carece de evidências concretas.

Futuras observações em diferentes comprimentos de onda devem ajudar os cientistas a confirmar a natureza dos objetos e a entender melhor como se dá a formação de planetas em sistemas jovens.

Esses registros não apenas alimentam a curiosidade sobre a origem de mundos distantes, como também ajudam a entender as origens do nosso próprio Sistema Solar.

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