Uma parte de um foguete Falcon 9, da SpaceX, deverá atingir a superfície da Lua nesta quarta-feira (5), após permanecer meses viajando pelo espaço desde o lançamento realizado em 15 de janeiro de 2025, no Kennedy Space Center, na Flórida.
O componente fazia parte da missão que levou as sondas lunares Blue Ghost-1, dos Estados Unidos, e Resilience, do Japão. Após concluir o lançamento das espaçonaves, a estrutura permaneceu em órbita e acabou entrando em uma trajetória de colisão com a Lua.
Impacto ocorrerá no lado visível da Lua
Segundo pesquisadores da Universidade do Texas, a colisão deve acontecer nas proximidades da cratera Einstein, localizada na parte oeste da face visível da Lua. O objeto deverá atingir a superfície a uma velocidade aproximada de 8.700 km/h.
Os cientistas estimam que o impacto levantará uma nuvem de poeira e detritos com cerca de 183 quilômetros de largura e até 20 quilômetros de altura. Embora o fenômeno possa ser observado da Terra, a visibilidade dependerá das condições e ainda é considerada incerta.
Além disso, a colisão deverá produzir um breve clarão luminoso, com duração de aproximadamente um segundo.
Cratera e análise da NASA
A energia liberada pelo impacto será equivalente a cerca de três toneladas de dinamite, suficiente para abrir uma cratera de aproximadamente 27 metros de diâmetro e cinco metros de profundidade na superfície lunar.
Cerca de sete dias após a colisão, a sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), da NASA, deverá sobrevoar a região para registrar imagens do local e analisar os efeitos provocados pelo impacto.
De acordo com os pesquisadores, a SpaceX poderia ter alterado a trajetória da estrutura para evitar a colisão, mas optou por não realizar essa manobra.
Segundo caso registrado
Se a previsão for confirmada, este será o segundo registro conhecido de uma parte de foguete atingindo acidentalmente a Lua.
O primeiro caso ocorreu em 2022, quando o terceiro estágio de um foguete Long March 5-T1, da China, colidiu com o solo lunar. Na ocasião, o governo chinês negou que os destroços fossem do veículo, afirmando que a estrutura já havia reentrado na atmosfera terrestre e sido destruída.
Embora colisões desse tipo sejam raras, especialistas afirmam que elas contribuem para estudos sobre a superfície lunar e poderão fornecer novas informações sobre os efeitos de impactos em ambientes sem atmosfera.

