Rede MLC
Saúde

Pílula experimental para câncer de pâncreas emociona especialistas e pode mudar tratamento da doença

Medicamento oral dobrou a sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas avançado e foi destaque no maior congresso de oncologia do mundo
Publicidade

 Uma nova esperança para pacientes com câncer de pâncreas avançado emocionou médicos e pesquisadores durante a reunião anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO), considerada o maior congresso de oncologia clínica do mundo. Os resultados finais do estudo com o medicamento oral daraxonrasib foram apresentados em Chicago, nos Estados Unidos, e provocaram uma reação rara entre os especialistas: aplausos de pé e lágrimas na plateia.

O motivo da comoção está nos números. O medicamento conseguiu dobrar a sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas metastático que já não respondiam à quimioterapia, um resultado considerado histórico para uma das doenças mais agressivas da medicina.

Resultados inéditos em estudo de fase 3

O estudo, chamado RASolute 302, avaliou aproximadamente 500 pacientes e seguiu o padrão mais rigoroso da pesquisa científica: um ensaio clínico randomizado de fase 3.

Publicidade

Os participantes foram divididos em dois grupos. Um recebeu o daraxonrasib, administrado em forma de comprimido uma vez ao dia, enquanto o outro continuou com o tratamento convencional por quimioterapia.

Os resultados chamaram a atenção da comunidade médica:

  • Sobrevida mediana de 13,2 meses para pacientes tratados com o comprimido;
  • Sobrevida de 6,6 meses para os pacientes que receberam quimioterapia;
  • Redução de 60% no risco de morte;
  • Tempo de controle da doença de 7,3 meses, contra 3,5 meses no tratamento convencional;
  • 31% dos pacientes apresentaram redução do tumor, enquanto no grupo da quimioterapia esse índice foi de 11,2%.

Outro destaque foi a baixa incidência de efeitos colaterais graves. Apenas 1,2% dos pacientes precisaram interromper o tratamento devido a reações adversas, contra 11,2% no grupo da quimioterapia.

Especialistas falam em novo padrão de tratamento

Os resultados foram publicados no Journal of Clinical Oncology, uma das revistas científicas mais respeitadas da área.

Para os pesquisadores, o daraxonrasib tem potencial para se tornar o novo padrão de tratamento para pacientes com câncer de pâncreas metastático em segunda linha, ou seja, após a falha dos tratamentos iniciais.

Segundo o oncologista Stephen Stefani, que acompanhou a apresentação dos dados no congresso, o resultado representa um marco na oncologia.

“Raramente celebramos um medicamento com esse perfil: baixa toxicidade, impacto real em sobrevida e um mecanismo inovador para uma doença tão difícil de tratar”, destacou.

Por que o câncer de pâncreas é tão desafiador?

O câncer de pâncreas é considerado um dos tumores mais letais do mundo. Na maioria dos casos, a doença não apresenta sintomas nas fases iniciais, fazendo com que o diagnóstico ocorra apenas quando já está avançada.

Atualmente:

  • Cerca de 80% dos pacientes são diagnosticados em estágio avançado ou metastático;
  • Nos Estados Unidos, aproximadamente 50 mil pessoas morrem da doença todos os anos;
  • No Brasil, são registrados cerca de 13 mil novos casos anuais, com aproximadamente 12 mil mortes;
  • A taxa de sobrevida em cinco anos para casos metastáticos é de apenas 3%.

O alvo era considerado “impossível”

Grande parte da agressividade do câncer de pâncreas está associada à mutação da proteína RAS, presente em mais de 90% dos tumores pancreáticos.

Por décadas, cientistas tentaram desenvolver medicamentos capazes de bloquear essa proteína, considerada praticamente “intratável” pela comunidade científica.

O daraxonrasib conseguiu atingir esse alvo e bloquear diferentes variantes da mutação, algo que muitos pesquisadores consideravam impossível até poucos anos atrás.

Próximos passos para aprovação

A farmacêutica responsável pelo medicamento, a Revolution Medicines, informou que encaminhará os resultados à Food and Drug Administration, agência reguladora dos Estados Unidos, para solicitar a aprovação oficial do tratamento.

O medicamento já recebeu classificações especiais que aceleram sua análise regulatória, incluindo o status de Breakthrough Therapy, concedido a terapias com potencial de oferecer benefícios significativos em relação aos tratamentos existentes.

Quando o medicamento pode chegar ao Brasil?

Apesar dos resultados promissores, o acesso ao tratamento no Brasil ainda deve levar tempo.

Para ser disponibilizado no país, o medicamento precisará passar pela avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Posteriormente, será necessária análise da cobertura pelos planos de saúde e, eventualmente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Até o momento, não há previsão oficial para a chegada do daraxonrasib ao mercado brasileiro.

Nova esperança para pacientes

Para especialistas, os resultados representam um dos avanços mais importantes dos últimos anos no tratamento do câncer de pâncreas.

Além de aumentar significativamente a sobrevida, o medicamento trouxe resultados com baixa toxicidade e abriu novas perspectivas para o desenvolvimento de terapias direcionadas contra mutações que, por décadas, foram consideradas inalcançáveis pela ciência.

Publicidade

Leia mais

Ozivy: conheça o medicamento brasileiro apontado como concorrente do Ozempic

Brenda Gomes

Anvisa determina recolhimento de lote da água Crystal após identificação de bactéria

Brenda Gomes

Estresse na adolescência pode causar alterações duradouras no cérebro, aponta estudo

Brenda Gomes

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Entendemos que você está de acordo com isso, mas você pode cancelar, se desejar. Aceito Leia Mais