Manaus sedia, nos dias 2 e 3 de junho, a 4ª edição do Encontro da Região Norte sobre Saúde Mental e Trabalho, evento que reúne gestores, profissionais de saúde, pesquisadores e representantes de instituições públicas para debater estratégias voltadas ao cuidado da saúde mental dos trabalhadores.
Promovido pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto, por meio do Centro de Referência Estadual em Saúde do Trabalhador (Cerest-AM), o encontro busca fortalecer a integração entre a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e a Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Renastt).
Fortalecimento das políticas de cuidado
Durante a abertura do evento, o secretário de Estado de Saúde, Luís Alberto Saraiva, destacou a importância de ampliar as estratégias voltadas ao cuidado da saúde mental no ambiente de trabalho.
“Promover o debate sobre saúde mental e trabalho é investir na qualidade de vida dos trabalhadores e no fortalecimento da assistência. O compromisso do Governo do Amazonas é avançar na construção de políticas públicas cada vez mais integradas, humanizadas e voltadas ao cuidado integral”, afirmou.
A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, ressaltou que o encontro contribui para a construção coletiva de soluções voltadas ao acolhimento e acompanhamento de trabalhadores em sofrimento psíquico.
“O trabalho em rede é fundamental para identificar precocemente situações relacionadas ao sofrimento mental e ampliar o acesso ao cuidado nos serviços de saúde”, destacou.
Integração entre redes fortalece assistência
Para a coordenadora do Cerest-AM, Cinthia Santos, a aproximação entre os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) favorece uma assistência mais eficiente e humanizada.
“A integração dessas redes fortalece a identificação dos fatores relacionados ao trabalho e contribui para um atendimento mais acolhedor e integral aos trabalhadores em sofrimento mental”, explicou.
Promoção da saúde e prevenção ganham destaque
Representando o Ministério da Saúde, Bruno Ferrari defendeu a ampliação das políticas voltadas à promoção da saúde e prevenção de agravos relacionados ao trabalho.
Segundo ele, o cuidado com a saúde do trabalhador não deve se limitar apenas à reabilitação.
“Os desafios atuais mostram que precisamos ampliar esse olhar. Pensar na saúde do trabalhador é investir em promoção, prevenção e também no cuidado das pessoas que necessitam de atenção em saúde mental”, afirmou.
Arte, inclusão e participação social também fazem parte do debate
Durante a programação, o coordenador-geral de Vigilância em Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, Luiz Henrique, destacou o papel da arte e da participação social como instrumentos importantes para promover inclusão e diálogo.
“Precisamos construir espaços mais humanos, acolhedores e coletivos, capazes de fortalecer a convivência e o respeito às diferenças”, ressaltou.
Riscos psicossociais entram na pauta das empresas
Entre os temas discutidos no encontro está a inclusão dos riscos psicossociais na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), atualização que passou a considerar fatores relacionados à saúde mental dentro do gerenciamento de riscos ocupacionais.
A programação também aborda a construção da Diretriz Nacional de Vigilância da Saúde Mental de Trabalhadores e Trabalhadoras, iniciativa coordenada pelo Ministério da Saúde que busca fortalecer políticas públicas voltadas à prevenção, monitoramento e cuidado dos impactos do trabalho sobre a saúde mental.
Debate ganha relevância diante dos desafios atuais
O encontro ocorre em um momento de crescente atenção aos impactos das condições de trabalho sobre o bem-estar emocional e psicológico da população.
A expectativa dos organizadores é que as discussões contribuam para fortalecer a articulação entre os serviços de saúde, ampliar o acolhimento dos trabalhadores e promover ambientes laborais mais seguros, saudáveis e humanizados em toda a Região Norte.


